Itamaraty ouve representantes do Irã, Iraque e Líbia

O Ministério das Relações Exteriores amenizou o discurso e disse que a possibilidade de reavaliar a política de aproximação comercial com o Oriente Médio não é um sinal de freio nas relações com países como Irã, Líbia e Iraque. O ministro Celso Lafer afirmara que a mudança diplomática ocorreria caso fosse confirmada a ajuda de países da região aos terroristas que atacaram, na terça-feira, Nova York e Washington. Representantes dos três países foram convidados pelo Itamaraty para o esclarecimento dos fatos. "A dimensão política da agenda internacional vai dar maior ênfase às questões de segurança", afirmou o diplomata Pedro Motta, diretor-geral do Departamento da África e Oriente Próximo. "Estamos buscando aproximação com esses países." Com 70 milhões de consumidores e disposto a negociar com o Brasil, o Irã, por exemplo, quer deixar bem claro que condena os atentados ocorridos nos Estados Unidos. O diplomata Mahdi Rounagh, representante da embaixada iraniana em Brasília, mostrou ao Ministério das Relações Exteriores mensagens de solidariedade ao povo americano feitas por políticos, aiatolás e até jogadores de futebol iranianos. "Em nome do povo e do governo do Irã, condeno o ato terrorista de seqüestro dos aviões e o ataque aos centros públicos nas cidades dos Estados Unidos", afirma nota do presidente iraniano, Mohammad Khatami. No site da embaixada do Irã (www.webiran.org.br), o retrato do presidente iraniano aparece sob foto maior dos destroços do World Trade Center. "O terrorismo é condenado e a sociedade mundial deve conhecer suas raízes, tomando medidas essenciais para erradicá-lo", reitera Mohammad Khatami. A embaixada do Irã também apresentou declarações do Mosharekat, maior partido político do país, e de aiatolás que compõem o clero. "Por que eles (americanos) atribuem tais ações aos muçulmanos?", indaga o aiatolá Mohammad Kashani. "Pode um Estado islâmico arriscar vidas de inocentes?" O secretário do Conselho Supremo de Segurança, Hojjatoleslam Rowhani, também entrou na lista de mensagens de solidariedade, dizendo que nenhum muçulmano se sente feliz com os atentados. A embaixada lembrou até mesmo que jogadores de futebol do país fizeram minuto de silêncio pela memória das vítimas. Depois do fim da guerra com o Iraque, nos anos 80, o Irã tenta se reaproximar do Ocidente. No site da embaixada, o governo do país divulga as potencialidades econômicas do país, a melhoria na qualidade de vida e mudanças sociais. A situação da mulher é um dos tópicos principais da página virtual. Dos 270 membros da Assembléia Consultiva Islâmica, dez são do sexo feminino. "Embora a relação entre mulheres e homens ainda seja pequena, houve um aumento considerável de mulheres nas eleições", destaca o site.

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