Itamaraty prefere não alimentar polêmica com oposição venezuelana

O Itamaraty preferiu manter-se em silêncioe não responder oficialmente às críticas da oposição venezuelanacontra a decisão do governo brasileiro de ajudar o país vizinhoa contornar o problema de abastecimento. A cúpula do Ministériodas Relações Exteriores está convencida de que não há razõespara alimentar a polêmica, uma vez que a ajuda foi acertadaentre dois governos constitucionais, como medida para diminuiros efeitos de uma crise que prejudica os cidadãos e a economiado país vizinho.O navio Amazon Explorer da Petrobrás carregado de petróleo ederivados zarpou hoje, segundo informou a empresa no Rio, edeverá desembarcar neste final de semana a Caracas. O pedido deajuda havia sido formulado pelo presidente da Venezuela, HugoChávez, ao governo brasileiro e recebeu o consentimento dopresidente Fernando Henrique Cardoso no dia 20. Na semanapassada, em visita a Caracas, Marco Aurélio Garcia, assessorinternacional do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva,havia sugerido ajuda similar do Brasil como forma de contornaros problemas internos de fornecimento de gasolina.Diplomatas ouvidos pela AE explicaram que qualquer resposta àCoordenadoria Democrática - a frente de oposição ao governoChávez, que considerou a ajuda brasileira como "inamistosa" e"violadora da soberania" - equivaleria justamente a umaintromissão direta do Brasil na briga política interna daVenezuela, um assunto que diz respeito aos venezuelanos.Conforme argumentaram, o atual governo brasileiro mantém umaposição "construtiva" em relação à crise política do paísvizinho e não pretende estimular um desgastante "bate-boca"com forças oposicionistas desse país.Em Caracas, líderes oposicionistas como o dirigente sindicalTimoteo Zambrano, afirmaram que a ajuda brasileira "nãoresolverá a crise política na Venezuela". Zambrano, autor dasmaiores críticas ao governo brasileiro pelo envio do combustível, afirmou que a ajuda será apenas um paliativo para o problema dodesabastecimento. "O que a comunidade internacional tem defazer Chávez entender é que ele deve partir, pois o povo não oquer e se manterá nas ruas defendendo a democracia e aliberdade", discursou.Até o momento, o governo brasileiro vem defendendo uma soluçãoconcertada entre Chávez e seus aliados e a oposição em torno daantecipação do calendário eleitoral e, por conta disso, apóia oesforço de mediação do secretário-geral da Organização dosEstados Americanos (OEA), César Gaviria. Negociada entre aPetróleos de Venezuela (PDVSA) e a Petrobrás, o embarque depetróleo conta, de fato, com um aspecto político. Ao minimizar oproblema de abastecimento interno de gasolina, a ajuda tenderáigualmente a reduzir os efeitos da tática da oposição de Chávez,que pretende minar sua sustentação política por meio daparalisação da economia.A venda é um bom negócio para a estatal brasileira, disse umexecutivo de uma trading do Rio. De acordo com ele, a Petrobrásestá conseguindo um preço melhor com a Venezuela do que o obtidoquando vende a gasolina para a Nigéria.

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