Itamaraty pretende retomar projeto de gestão da internet

Diante das revelações sobre o monitoramento de e-mails, telefonemas e outras formas de comunicação no Brasil pelos EUA, a diplomacia brasileira pretende retomar o debate sobre mudanças na gestão da internet.

O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2013 | 02h07

Hoje, a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), corporação sem fins lucrativos com sede na Califórnia, tem o poder de distribuir os Protocolos de Internet (IP, na sigla em inglês) pelos quais os computadores são reconhecidos, controlar os nomes de domínio e administrar a rede.

Embora gerenciada por um conselho formado por representantes de vários países, ligados a empresas e organizações da sociedade civil, a ICANN tem contrato com o Departamento de Comércio dos EUA. O mesmo departamento tem a palavra final sobre qualquer alteração no grupo de 13 servidores que, em síntese, controla toda a rede no mundo.

"Achamos que é saudável haver uma democratização no gerenciamento da internet e isso pode ser objeto de discussão multilateral", disse o embaixador Tovar Nunes, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

O Brasil planeja levar o debate à Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, à Unesco, em Paris, e à União Internacional de Telecomunicações (UIT), em Genebra, onde há seis meses defendeu a proposta. O texto, porém, não foi aceito por mais de 50 países, entre eles os EUA, e o debate não avançou desde então.

O Itamaraty acredita que as recentes revelações sobre a espionagem americana podem atrair mais aliados ao projeto.

Um dos que se colocou contra a proposta foi o Google, alegando que o texto daria margem para que governos questionassem a livre circulação de informações, como no Irã ou na China, o que poderia levar a uma tentativa de censurar a rede. / LISANDRA PARAGUASSU e JAMIL CHADE

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