Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Itamaraty promove Nestor Forster, favorito a ser embaixador nos EUA

Próximo ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, Forster foi o principal articulador da viagem da comitiva de Bolsonaro aos EUA

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 22h43

WASHINGTON - O diplomata Nestor Forster foi um dos promovidos nesta quarta-feira, 12, à primeira classe da carreira, em uma lista assinada no Itamaraty. Desde janeiro, conforme o Estado revelou, o diplomata é o nome mais cotado para assumir a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos e a promoção é considerada a etapa final para abrir caminho para que o presidente Jair Bolsonaro o convide a assumir o posto. A cadeira de embaixador está vaga desde o último dia 3, quando o diplomata Sérgio Amaral voltou ao Brasil.

Se for convidado a assumir a embaixada nos EUA, na capital americana, Forster ainda deverá passar por sabatina no Senado. A lista das promoções circulou nesta quarta no Itamaraty e será publicada no Diário Oficial nos próximos dias.

Forster foi o responsável por apresentar o atual ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para conhecer Olavo de Carvalho em um encontro na casa do escritor, em Virgínia, nos Estados Unidos. Forster e Olavo de Carvalho, que se tornou um ideólogo do governo Bolsonaro, são amigos de longa data.

O diplomata também teve papel central na articulação da agenda de Bolsonaro em Washington, em março, quando o brasileiro se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. Ele ajudou a organizar, por exemplo, o encontro de Bolsonaro com pensadores conservadores e de direita.

A convite do presidente, participou do jantar com os intelectuais americanos e se sentou ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro, um dos articuladores de política externa do governo. Após a visita presidencial, o nome de Forster como futuro embaixador do País nos EUA ganhou força.

Ele é parte do quadro da embaixada brasileira na capital dos EUA. Atualmente, é um dos ministros-conselheiros da embaixada, cargo logo abaixo do posto principal, e fica responsável por questões administrativas, migratórias e de diplomacia pública – como relações com sociedade civil.

Apesar de não ser o substituto de Amaral na hierarquia atual, a proximidade com o governo Bolsonaro fez com que Forster participasse de reuniões dos integrantes do governo em Washington. Na última passagem de Araújo pela capital americana, o ministro acompanhou o chanceler nas reuniões com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e com o assessor de segurança nacional, John Bolton.

A presença do diplomata nas reuniões com a alta cúpula do governo Trump foi vista como o mais importante sinal de que Forster está prester a assumir a embaixada. O então embaixador da época, Amaral, participou dos encontros. O natural se houvesse a participação de um segundo nome do quadro brasileiro era que Fernando Pimentel, que assumiu a embaixada interinamente, participasse dos encontros – e não Forster.

A proximidade com Araújo fez com que o diplomata fosse inicialmente indicado para a chefia de gabinete do chanceler em Brasília, quando o governo estava sendo montado. Sua transferência dos EUA a Brasília chegou a ser publicada no Diário Oficial, mas depois alterada. A mudança de rota não foi em razão de divergência entre os dois, o que fez as especulações ao redor do nome de Forster crescerem.

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