Itamaraty temia perder influência na África

Brasil monitorou Argentina e suas relações com União Soviética e com governos que surgiram de ex-colônias portuguesas, como Angola e Moçambique

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2019 | 07h20

O Itamaraty monitorava os movimentos do governo argentino de María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, e temia sua relações com a União Soviética e com os regimes que surgiriam nas ex-colônias portuguesas, como Angola e Moçambique. Também incomodava a possibilidade de os países africanos votarem na ONU contra o Brasil na questão levantada pela Argentina em razão do projeto de construção da hidrelétrica de Itaipu.

É o que mostram os documentos analisados pela pesquisadora Gisele Lobato. Ela lembra que o País foi o 80.º a reconhecer a independência de Guiné-Bissau e teve uma recepção fria quando o embaixador Ítalo Zappa tentou se aproximar de Samora Machel, líder da Frente de Libertação de Moçambique. 

Em Angola, não havia um grupo dominante - o poder era disputado por Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Frente de Libertação Nacional de Angola (FNLA) e União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), que constituíram um governo de transição para a independência.

Em junho de 1975, o ministro da Educação do governo provisório de Angola, Samuel Abrigada (FNLA), visitou o Brasil e manteve contatos com ex-oficiais portugueses exilados. Aqui estava o general António de Spínola, que buscava apoio o brasileiro para agir em Portugal e nas colônias. O presidente Ernesto Geisel rejeitou, mas o Serviço Nacional de Informações (SNI) manteve contato com o general e com o FNLA.

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