Evaristo Sa/AFP
Evaristo Sa/AFP

Itamaraty tende a seguir Liga Árabe e apoiar rebeldes

Brasil espera posição de emergentes e decisão do bloco árabe para reconhecer conselho anti-Kadafi representante legítimo da Líbia

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

O Brasil ainda aguarda a posição dos demais países dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) e uma decisão formal da Liga Árabe para decidir sobre o reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, órgão que congrega as várias facções que se opõem ao ditador Muamar Kadafi.

O chanceler Antonio Patriota conversou ontem com o secretário-geral da Liga, Nabi Elarabi, e recebeu a informação de que, na reunião que começa hoje no Catar, a tendência dos países árabes é reconhecer o CNT como legítimo representante da Líbia. Ontem, o bloco árabe manifestou "solidariedade total aos esforços" dos rebeldes.

A França foi o primeiro país a reconhecer os rebeldes como novo governo da Líbia. Na última semana, os Estados Unidos anunciaram o reconhecimento. Entre os árabes, até agora Tunísia e Egito reconhecem o CNT.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Tovar Nunes, reconhece que a posição da Liga Árabe é um elemento importante, que confere maior legitimidade à decisão de reconhecer o CNT. "Mas não é o único", ressalva Nunes. "Continuaremos a fazer consultas."

O chanceler brasileiro ainda vai conversar com seus colegas da Rússia e da China e com países da União Africana. Uma reunião do Conselho de Paz e Segurança dos países africanos, que será realizada no final desta semana, também deve chegar a uma posição sobre o reconhecimento do CNT. O governo brasileiro aguarda essas informações para anunciar sua posição.

A avaliação no Itamaraty, no entanto, é que o grupo será reconhecido se for confirmada a queda de Kadafi. Ainda assim, possivelmente o Brasil esperará para ver se algumas condições são cumpridas, como a criação de um governo estável e com algum padrão de democracia.

Troca da guarda. A iminente queda de Kadafi desatou ontem uma onda de confusão e violência em várias embaixadas líbias ao redor do mundo. Expatriados líbios invadiram missões do regime Kadafi para trocar, à força, a bandeira verde da ditadura pela antiga flâmula tricolor adotada pelo CNT.

Em Brasília, a embaixada da Líbia está ocupada por líbios anti-Kadafi e a bandeira do ditador foi trocada pela tricolor da oposição. O embaixador nomeado pelo ex-ditador, Salem Zubeidy, deixou o local, embora ainda ocupe a residência oficial.

Na capital turca, Ancara, dezenas de líbios - incluindo mulheres e crianças - pularam os muros da embaixada ainda ocupada por funcionários leais ao ditador. Além de trocar as bandeiras, os manifestantes arrancaram os pôsteres de Kadafi que ainda estavam pendurados pelas paredes. As imagens foram queimadas no jardim, enquanto a multidão dançava em festa.

Em Malta, ilha europeia situada a algumas centenas de quilômetros da costa líbia, a cena se repetiu. Cerca de 200 líbios invadiram a representação diplomática e queimaram a bandeira líbia e os retratos do ditador.

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