Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

<i>Time</i> irrita portugueses com prostituição brasileira

Sob o título O Novo Bairro Europeu da Prostituição (Europe?s New Red Light District), a edição européia da revista norte-americana Time dedica a capa da edição de hoje a uma longa reportagem sobre a prostituição brasileira na cidade portuguesa de Bragança, afirmando que o "fenômeno é encarado com naturalidade pela população local". "Nunca tínhamos entrado no assunto e achamos que agora era hora de fazer uma reportagem sobre esta realidade", explica Martha de La Cal, correspondente da revista em Portugal, que admitiu ser esta a primeira vez que foi a Bragança.A reportagem sai seis meses depois do impacto, provocado na mídia, pelo manifesto das "Mães de Bragança" contra a prostituição. Foi um abaixo- assinado contra o fenômeno da prostituição de mulheres brasileiras, que, segundo elas, estava "desfazendo" seus lares. As portuguesas entregaram o documento às autoridades locais, desde o governador ao presidente da Câmara, passado pelo comandante da polícia. A iniciativa abriu um debate em torno do assunto e as opiniões locais são unânimes em afirmar que o fenômeno deixou de ser tão visível, desde então.As "meninas brasileiras" passaram a ser mais discretas em passeios pela cidade e alguns setores da economia local sentiram a sua ausência, principalmente os táxis e os cabeleireiros, muito utilizados por elas. A divulgação do assunto criou também, durante algum tempo, um estigma para o sotaque brasileiro, sendo abundantes histórias de mulheres vaiadas por serem confundidas com as "meninas" das casas noturnas.A jornalista conta que acompanhou o caso "pelos jornais diários e pelas televisões" e que não ficou surpreendida com o que encontrou em Bragança."Eu acho que a população local agora encara com mais naturalidade o fenômeno da prostituição, que não é exclusivo de Bragança e se estende por outras cidades portuguesas e por toda a Europa", diz.Martha de La Cal considera mesmo que os bragantinos já perceberam "que a prostituição não vai acabar e haverá sempre" e elogiou ainda o tratamento dado pelos órgãos de comunicação social à polêmica."Acho que as televisões não exageraram, antes refletiram bem o que se passava em Bragança", disse.Entretanto, hoje, na cidade, um misto de incredulidade e ironia predomina em todas as conversas, depois que a projeção do movimento "Mães de Bragança" ultrapassou as fronteiras através da Time. Os comentários vão do tom mais sarcástico dos que não entendem o destaque dado à profissão mais velha do mundo à incredulidade de outros, que jamais imaginaram "ver" Bragança "nas boca do mundo". As autoridades locais, por sua vez, reagiram com indignação à reportagem."Bragança não é nenhum paraíso do turismo sexual. Não estamos na Tailândia", foi a reação do bispo D. António Montes Moreira. Na opinião do prelado, "a gravidade do fenômeno não justifica as honras de primeira página".O governador civil diz, no entanto que as autoridades têm atuado e que "o fenômeno está mais atenuado", em comparação com o que se passava aquando da ação do movimento "Mães de Bragança".Para José Manuel Ruano, o fenômeno resume-se, porém a duas casa, que apelidou de "espeluncas", adiantando que uma delas é alvo de um processo judicial em fase adiantada. Para o presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, "a notícia não tem relevância nenhuma"."Por essa Europa a fora há situações que não têm comparação com o que se passa em Bragança", considerou. Para algumas das "Mães de Bragança" ouvidas pela Lusa, esta é "mais uma oportunidade para lembrar às autoridades o que se passa". "Nos outros lugares até pode acontecer o mesmo, mas as pessoas não se manifestam", disse uma das "mães", que continuam a pedir o anonimato.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.