Iugoslávia vende armas ao Iraque, diz organização

Apesar do embargo declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao Iraque desde 1991, a Iugoslávia continua vendendo armamentos ao governo de Bagdá. Esse foi o resultado de uma investigação feita pelo Grupo Internacional de Crise, entidade com base em Bruxelas que serve de consultora para governos de vários países em matéria de segurança internacional. Segundo os especialistas da entidade, no final dos anos 80, o presidente iraquiano, Saddam Hussein, e o presidente da então república iugoslava da Sérvia, Slobodan Milosevic, acertaram um acordo para o desenvolvimento de mísseis de longa distância. O acordo ainda incluía a venda de armas da Iugoslávia para Bagdá. Mas na avaliação dos líderes ocidentais e da própria ONU, o esquema havia sido desmontado depois da queda de Milosevic. Os dados mostram, porém, que o comércio não foi interrompido. Algumas fábricas que produziam os armamentos destinados ao Iraque nos anos 80 estavam em locais que hoje já não fazem mais parte da Iugoslávia, como a Bósnia. Mas desde a fragmentação da Iugoslávia, essas fábricas foram tranferidas para os territórios da Sérvia, ainda sob controle de Belgrado. De acordo com os especialistas, soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) descobriram, em outubro, que uma usina sérvia estava vendendo peças para os MiG iraquianos. O pior é que essa usina é controlada pela estatal iugoslava Yugoimport-SDPR. A operação de vendas das partes para o Iraque era conhecida como "Aurora" e envolveria contratos de US$ 3 bilhões. Os acordos ainda incluíam a venda de munição, veículos militares e tecnologia avançada de Belgrado ao Iraque. Para completar, soldados norte-americanos descobriram um navio de Montenegro (outra républica iugoslava) na costa croata levando armamentos ao Iraque. As investigações também apontam que Belgrado seria o centro do comércio de armamentos que sai da Ucrânia e da Bielo-Rússia em direção a Bagdá. Por enquanto, o escândalo, que já chegou à imprensa iugoslava, fez vítimas apenas entre os funcionários de baixo escalão. Para o grupo de especialistas, a fragilidade do presidente iugoslavo Vojislav Kostunica em relação aos militares de seu próprio país é o que explica a manutenção do comércio entre Belgrado e Bagdá.

Agencia Estado,

05 Dezembro 2002 | 19h01

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