Ivan conta à família como escapou da morte em Moscou

Por quatro horas, Fernando Ostrowski acreditou que tivesse perdido o filho Fernando Ivan, de 18 anos, no incêndio no alojamento universitário na Rússia. Às 7 da manhã um amigo avisou que Ivanzinho - como é tratado em casa - estava vivo. Meia hora depois, o próprio rapaz falou com o pai. "Tô vivo, graças a Deus", disse Ivan, que só se salvou porque pulou do 5º andar. Está no hospital com fraturas no braço e em duas vértebras.Ivan acordou sufocado com tanta fumaça e com os gritos - havia 282 pessoas no prédio conhecido como alojamento da quarentena, onde os estudantes estrangeiros são obrigados a permanecer para fazer exames médicos e começar a aprender russo. Abriu a porta e viu que as chamas já tinham tomado todo o corredor. Pensou em amarrar os lençóis e descer pela janela, mas o fogo no andar de baixo queimaria o tecido. Todos os ocupantes do quarto estavam em pânico, Ivan propôs que parassem de falar e se atirassem. Ele pegou a mala com documentos atirou pela janela e, em seguida, pulou. "Ele não teve escolha, saltou para a vida", explicou o pai em entrevista coletiva. Eram três horas da madrugada, quando o telefone tocou na residência dos Ostrowski no Lago Sul. A amiga Clenir Hirle, que reside na Rússia, tinha uma notícia ruim: o prédio onde Ivan estava alojado pegava fogo. As notícias eram de que havia dezenas de mortos e feridos. Daquele momento em diante, Fernando colou os olhos na TV a cabo para obter mais informações. As imagens não deixavam dúvidas para o advogado de que "não tinha nenhuma chance de sobrevivência". Já a mãe Margarete se trancou no quarto para rezar e, durante todo o tempo, pensou que o filho esta vivo. "Foram horas terríveis de dúvida, incerteza, vazio... mas agora o meu coração está repleto de gratidão e júbilo", contou a pianista aliviada. Os pais não se cansavam de ver as fotos do filho que receberam por e-mail do chefe do consulado brasileiro na Rússia, o secretário Assir Pimenta Madeira Filho. O diplomata, que tirou as fotos, contou à família que o rapaz estava "aparentemente bem e de bom humor". Ele informou também que, apesar do incidente, Ivan disse que não pretende desistir do curso de Direito Internacional na Rússia. Faz 20 dias que ele chegou à Rússia para estudar. A mãe preferia ter o filho em casa. "Mas, como mãe, tenho de apoiar tudo o que ele decidir e confiar em Deus." Leia sobre o incêndio que matou 36 universitários em Moscou

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