Ivanov alerta para o processo de paz no Oriente Médio

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, alertou nesta sexta-feira contra tentativas de se alterar o chamado "mapa" para a paz no Oriente Médio. Enquanto isso, Mahmoud Abbas, vice de Yasser Arafat na Organização para a Libertação da Palestina (OLP), pedia a suspensão da violência por um ano."Qualquer um que tente mudar o mapa retardará a retomada do processo de paz por um bom tempo. Isso deve ser evitado", recomendou Ivanov em declarações publicadas pela agência de notícias russa Interfax. As declarações de Ivanov foram feitas após uma reunião com Abbas.Ivanov alertou ainda que uma eventual guerra contra o Iraque não deve ser usada como pretexto para retardar o processo de paz entre israelenses e palestinos.Estados Unidos, Rússia, Organização das Nações Unidas (ONU) e União Européia (UE) - o chamado Quarteto - elaboraram um "mapa" para a paz no Oriente Médio.O plano prevê o estabelecimento de um Estado palestino provisório ainda neste ano e sua emancipação, rumo à independência e à soberania em 2005.Ontem, no entanto, o jornal Haaretz informou que o governo israelense apresentou mais de 100 pedidos de modificação no plano, como condição para aceitá-lo.O Estado judeu quer bloquear o direito de retorno dos refugiados palestinos aos locais onde moravam antes da criação de Israel e exige o afastamento de Arafat do governo palestino, além de impor uma série de restrições ao futuro Estado.Em resposta, Ivanov ressaltou ser impossível agradar totalmente a israelenses e palestinos, mas afirmou que a "essência do compromisso é que o mapa abre o caminho para a resolução pacífica do conflito".Abbas disse à Associated Press que os palestinos aceitaram plenamente o plano e acusou Israel de tentar sabotar a iniciativa. "Estamos pedindo ao Quarteto que declare imediatamente a validade desde mapa e não faça nenhuma alteração nele."Abbas disse ainda às autoridades russas que o governo Arafat pediu a todos os palestinos que abdiquem de ataques contra Israel. "Se o resultado for o esperado, todos saberão quem é o responsável por escalar o conflito, e todas as acusações recairão sobre Israel".Segundo ele, a Autoridade Palestina tentou convencer as facções radicais a "desmilitarizarem a intifada por um ano", em recentes conversações no Cairo. As partes não chegaram a um acordo para o fim da violência, mas Abbas garantiu que o diálogo será retomado.Na Faixa de Gaza, dois militantes da Jihad Islâmica foram mortos por soldados israelenses quando tentavam atacar um assentamento judaico e um posto avançado do Exército.Na Cisjordânia, soldados israelenses mataram um palestino na cidade de Tulkarem. Segundo os militares, ele estava "correndo na direção de um posto" de checagem do Exército e não atendeu aos pedidos para parar.

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