Richard Bromberg - arquivo pessoal
Richard Bromberg - arquivo pessoal

'Já vemos mais gente nas ruas, mas ainda está tudo confuso', diz brasileiro em Israel

Designer gráfico e ilusionista conta o que fez para passar o tempo com a família durante a quarentena e como vê a flexibilização do isolamento no país

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 15h00

Aos poucos, vários países da Europa e da Ásia retomam atividades econômicas e flexibilizam o isolamento social imposto para evitar a propagação do novo coronavírus, mas isso não significa que o medo de contrair a doença tenha passado. “Tem um medo meio ao contrário agora, será que podemos mesmo sair?”, diz o brasileiro Richard Bromberg, que mora com a família em Israel.

O país começou a liberar a abertura de pequenos comércios, aumentar a circulação do transporte público e permitir o funcionamento escolar de forma escalonada de acordo com a idade.

“Já vemos mais gente nas ruas, as escolas até o terceiro ano do primário retomaram as aulas, mas ainda está tudo confuso, têm aulas online e os alunos não são obrigados a ir até a escola”, explica Bromberg, que optou por não deixar os dois filhos, Jonny, de 16 anos, e Leonardo, de 9, voltarem à escola nessa semana.

Junto com a mulher, Fernanda, e os filhos, o designer gráfico e ilusionista brasileiro tenta passar o tempo durante a quarentena fazendo vídeos e jogando. “Aqui a gente canta, posta vídeo para levar um pouco de alegria para outras pessoas. Tentamos passar o dia assim, cada um com uma atividade, estamos recorrendo a formas de tecnologia para fazer o dia passar, computador, vídeo-game, ipad, celular”.

Truques de mágica, cortes de cabelo, versões de música e até um jogo de pingue-pongue usando frigideiras e uma bola retirada de um desodorante roll-on já foram temas dos vídeos criados e editados pela família. “Agora temos raquetes de verdade porque o pequeno comércio abriu e fomos comprar. Olha estamos com saudade das frigideiras”, brinca o brasileiro.

Richard trabalhava na produtora de vídeos Visiotel, mas foi demitido no início da pandemia e a empresa fechou. Fernanda trabalha na ópera de Tel-Aviv e está parada em razão da quarentena. Ela recebe uma ajuda do governo enquanto está sem trabalhar.

A sensação de liberdade começa a voltar em Israel, segundo o brasileiro, mas os controles são rigorosos. “A temperatura das pessoas é medida sempre nos lugares públicos, não pode haver mais de 20 pessoas no mesmo estabelecimento”, afirma Bromberg.

“O que a gente quer é poder ver as pessoas na rua de novo sem máscaras e sem luvas, que são símbolos da nossa privação”, diz o designer, ressaltando, no entanto, que ainda prefere agir com cautela. “Não é porque o governo abriu alguns comércios que a gente está aproveitando. A gente prefere se privar por conta de histórias que ouvimos, de amigos fortes, que fazem atividades físicas diárias e acabaram pegando a covid-19 e ficando em situação crítica.”

Israel registra mais de 16 mil casos confirmados do novo coronavírus e 239 mortes em razão da covid-19. “Espero que a gente aprenda alguma coisa com essa bagunça e quando isso terminar a gente valorize mais as relações com as pessoas”, afirma o brasileiro. 

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