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Janet Yellen fala sobre proteção da Amazônia com Paulo Guedes

Há pelo menos um mês, os times de Joe Biden e de Jair Bolsonaro têm feito tentativas de aproximação, a despeito das conhecidas divergências entre a política dos dois presidentes

Beatriz Bulla / Correspondente , O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 21h33

WASHINGTON - Em conversa por telefone nesta quinta-feira, 11, a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, falou com o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, sobre a ideia do governo americano de trabalhar em uma "agenda produtiva para proteger a Amazônia" e "assegurar meios de subsistência sustentáveis para as comunidades locais". 

Há pelo menos um mês, os times de Joe Biden e de Jair Bolsonaro têm feito tentativas de aproximação, a despeito das conhecidas divergências entre a política dos dois presidentes. Em todas as oportunidades, os representantes do governo americano ressaltaram a prioridade da atual gestão: o compromisso do Brasil com a questão ambiental e a preservação da Floresta Amazônica

Nas conversas, os EUA também têm enfatizado que querem manter a parceria com o Brasil, algo dito por Yellen a Guedes. Segundo o Tesouro americano, a secretária falou da intenção de aprofundar a cooperação com o Brasil "para enfrentar os principais desafios regionais e globais, incluindo o apoio a uma forte recuperação da pandemia de covid-19, combate à desigualdade, desenvolvimento de infraestrutura sustentável e abordagem vigorosa da ameaça da mudança climática".

O Tesouro americano é o órgão responsável por elaborar o plano de proteção da Amazônia que o governo Biden pretende apresentar, em colaboração com o Departamento de Estado e agências como a Usaid (agência dos EUA para o desenvolvimento internacional). O protagonismo do Tesouro é o sinal de que os EUA estão engajados na criação de um plano de financiamento do clima -- com mecanismos públicos e privados, além de pressão sobre instituições multilaterais -- para "ajudar os países em desenvolvimento a implementar medidas ambiciosas de redução de emissões (de gases de efeito estufa)" e "proteger ecossistemas críticos". O governo Bolsonaro tem deixado claro que espera contrapartida financeira pela preservação da floresta.

Também caberá a Yellen decidir eventuais sanções econômicas ao Brasil, caso o País não adote compromissos ambientais esperados pela comunidade internacional. Na campanha eleitoral, Biden afirmou que estava disposto a "reunir o mundo" para oferecer um fundo de US$ 20 bilhões para proteger a Amazônia e disse que o Brasil poderia sofrer consequências econômicas caso não se comprometesse com a preservação da floresta. Desde que o democrata assumiu a Casa Branca, no entanto, ele tem dado sinais nos bastidores de que pretende trabalhar em colaboração com o Brasil -- e não por meio de sanções.

Segundo fontes, durante a conversa de 20 minutos, os dois trataram da possibilidade de iniciar uma cooperação em torno de uma agenda de "crescimento verde", amparado em princípios sustentáveis. Ainda de acordo com fontes, Guedes e Yellen falaram de valores comuns aos dois países, como economia de mercado, crescimento inclusivo e facilitação de negócios, com ofertas de ambos os lados para trabalho em conjunto.

 "Há a inclusão de várias instituições que tratam do tema. Não é porque o Tesouro está envolvido que quer dizer que haverá sanção para qualquer país que seja", disse a porta-voz em português do Departamento de Estado americano, Kristina Rosales, em entrevista ao Estadão, em fevereiro.

Outras duas conversas de alto escalão já aconteceram entre os governos de Brasil e EUA no último mês. Em todas, a questão da proteção da Amazônia esteve presente. Primeiro, o secretário de Estado, Anthony Blinken, conversou com o chanceler Ernesto Araújo, abrindo caminho para uma ligação, na sequência, entre o enviado especial para o clima do governo Biden, John Kerry, e o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles

Os EUA tentam enviar a mensagem de que querem manter a parceria com o Brasil, apesar de o contato entre os dois presidentes não ter ocorrido até o momento. Durante os últimos dois anos, Bolsonaro fez declarações públicas de admiração ao republicano Donald Trump, para quem disse torcer na eleição do ano passado, e foi o último líder do G-20 a parabenizar Biden. Os americanos argumentam que a existente parceria econômica entre os países -- e a convergência de interesses -- abrirá o caminho para uma boa relação entre os dois governos. 

 

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