Japão admite que usou arma química contra China na Segunda Guerra

Um tribunal de Tóquio admitiu pela primeira vez o assassinato de milhares de chineses em experimentos com armas bacteriológicas em mãos do exército imperial nipônico durante a Segunda Guerra mundial, embora tenha rejeitado o pedido de indenização apresentado pelos familiares das vítimas. O tribunal admitiu pela primeira vez que "as provas documentais demonstram os experimentos conduzidos pelo exército japonês na China e o fato de que causaram mortos entre os civis". Indenização Um grupo de 180 chineses reclamou um ressarcimento de US$ 86 mil dólares cada para os familiares assassinados durante a guerra pelas tropas do imperador Hirohito, embora a corte tenha dito que não lhes dará "nenhum ressarcimento". O juiz disse que as indenizações de guerra não podem ser pagas a cidadãos individualmente. "Apresentaremos um recurso porque fomos derrotados, embora nos reste o fato positivo de que um tribunal japonês reconheceu finalmente a verdade histórica dos crimes cometidos na China", afirmou hoje o chefe da equipe de advogados dos chineses, Koken Tsuchiya. Manchúria O direito internacional havia proibido, antes do início da Segunda Guerra, o uso das armas químicas e bacteriológicas. No entanto, após 1937 o Japão ignorou o direito internacional no que diz respeito à guerra que promoveu contra os guerrilheiros de Mao Tsé-tung na Manchúria. Segundo dados recolhidos recentemente, foi o imperador Hirohito em pessoa que, irritado e impaciente com os escassos "progressos" contra os chineses, autorizou o exército a empregar "todos os meios, incluindo armas químicas e bacteriológicas". Dissecados vivos Centenas de prisioneiros chineses foram vivisseccionados (dissecados vivos) e milhares deles usados para experimentos com armas bacteriológicas pela denominada Unidade 731. Aviões atiravam sobre os prisioneiros germes (de peste bubônica e de cólera) para em seguida observar sua reação. No fim dos anos 80, o escritor Seiichi Morimura escreveu um livro em que denunciou as matanças. A extrema direita japonesa reagiu e alguns especialistas descobriram que uma das tantas fotografias fora "retocada". Como resultado dessa descoberta, o livro foi retirado das livrarias e durante anos não houve mais referências consistentes ao tema. No início dos anos 90, familiares das vítimas chinesas apresentaram denúncias perante tribunais japoneses, graças ao que o tribunal em questão admitiu hoje as "centenas de assassinatos de civis por armas bacteriológicas do exército japonês". "Esperamos que ao menos isto sirva para a verdade não ser mais ocultada das novas gerações", disse o diretor de cinema chinês Minoru Matsui, autor de um documentário sobre as atrocidades, que foi exibido em dezembro em seu país, após ter recebido prêmios em Portugal e na Alemanha.

Agencia Estado,

27 Agosto 2002 | 17h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.