Japão ameaça derrubar foguete norte-coreano

Lançamento de suposto satélite de comunicação aumenta tensão entre Pyongyang e vizinhos

NYT e AP, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Um dia depois de a Coreia do Norte anunciar que pretende lançar um foguete cuja trajetória passaria pelo território japonês, Tóquio fez a advertência de que pode derrubar legalmente qualquer "objeto" que esteja se dirigindo para o país. "Pela nossa lei, podemos interceptar qualquer objeto que estiver caindo em direção ao Japão", disse o secretário-chefe de gabinete do governo japonês, Takeo Kawamura. Segundo Pyongyang, o foguete colocará em órbita um satélite experimental de comunicações antes de se dividir e cair - parte no Mar do Leste (Mar do Japão) e parte no Oceano Pacífico. No entanto, Washington, o Japão e a Coreia do Sul suspeitam de que seja parte de um teste para o lançamento de mísseis de longo alcance Taepodong-2, que teriam capacidade de atingir o Alasca. A Coreia do Norte aumentou o tom de seu discurso e suas provocações depois que EUA e Coreia do Sul começaram a fazer exercícios militares conjuntos. No domingo, Pyongyang advertiu que reagirá militarmente contra qualquer invasão de seu território ou tentativa de intercepção de seu foguete, que deve ser lançado entre os dias 4 e 8 de abril. O Japão tem um sistema antimísseis balísticos montado com ajuda americana. Se o foguete de fato for destinado ao lançamento de um satélite, porém, ele pode viajar a uma altura não alcançada pelos interceptadores japoneses. Segundo Tóquio, os planos norte-coreanos contrariam uma resolução do Conselho de Segurança da ONU de três anos atrás, que proíbe a Coreia de disparar mísseis balísticos. "Eles podem dizer que vão lançar um satélite ou o que quiserem, mas ainda assim esse lançamento seria uma violação (da resolução)", disse o premiê japonês, Taro Aso. "Protestamos contra ele e pedimos com firmeza seu cancelamento."Ontem, a Coreia do Norte voltou a fechar os pontos de passagem da fronteira com a Coreia do Sul, como na segunda-feira, e proibiu a saída de sul-coreanos que trabalham no complexo industrial de Kaesong, de acordo com a agência de notícias local Yonhap. Mesmo assim, 275 desses trabalhadores conseguiram cruzar a fronteira, segundo o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak. Há uma semana, companhias aéreas internacionais tiveram de alterar a rota dos voos que passavam sobre o espaço aéreo norte-coreano depois de Pyongyang adverti-las que não poderia garantir sua segurança.

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