Japão anuncia nova política de Defesa para fazer frente à China

Diretriz japonesa usa linguagem forte e alerta para a acelerada modernização das Forças Armadas chinesas

NYT, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

O Japão anunciou ontem uma nova política de Defesa para fazer frente ao crescente poderio militar da China com a construção de mais submarinos e de outras forças móveis capazes de defender as ilhas japonesas mais ao sul. As novas Diretrizes do Programa Nacional de Defesa constituem o principal passo na mudança empreendida ao longo de uma década que tem como finalidade abandonar o emprego de pesados tanques e unidades de artilharia na Ilha de Hokkaido e fortalecer as tropas japonesas nas ilhas ao redor de Okinawa, onde a Marinha da China está cada vez mais presente.

As novas disposições também usaram uma linguagem forte e inusitada para alertar sobre a modernização acelerada das Forças Armadas chinesas, consideradas "um motivo de preocupação para a região e para a comunidade internacional".

Em Pequim, a chancelaria criticou a nova política definindo-a como "irresponsável" e sugeriu que ela é fruto de uma interpretação equivocada das intenções da China.

A nova política prevê o aumento do número de submarinos japoneses dos atuais 16 para 22, e reduz o de tanques em um terço, para cerca de 400. As diretrizes preveem ainda o aumento da cooperação militar com os EUA, os protetores do Japão no pós-guerra, e com outras democracias da região, como a Coreia do Sul, a Austrália e a Índia. Mas não se referem às exigências feitas recentemente por Washington às forças militares japonesas para que participem de exercícios militares com os EUA e a Coreia do Sul, visando a Coreia do Norte.

O Japão resiste há muito tempo às solicitações americanas para que aumente seu papel militar na região por causa das restrições de sua Constituição pacifista adotada no pós-guerra. As novas diretrizes indicam a disposição do Japão de adotar uma posição militar mais forte, mas apenas em termos defensivos.

No âmbito das novas disposições também está previsto o reexame da proibição da exportação de armas que o Japão se impôs, o que facilitará sua participação no desenvolvimento conjunto de dispendiosos armamentos mais modernos.

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