Japão apresenta nova versão de resolução contra a Coréia do Norte

O Japão apresentou nesta sexta-feira uma nova versão do projeto de resolução no qual mantém as sanções contra a Coréia do Norte, apesar das objeções da China e da Rússia. O novo documento, que poderia passar por votação neste fim de semana, esclarece as medidas punitivas que seriam impostas a Pyongyang, como "a proibição de transferir ao país recursos financeiros, materiais e tecnologia" que possam ser usados para a fabricação de mísseis e programas de armas de destruição em massa.A resolução, que tem o apoio dos EUA, Reino Unido e França, é rejeitada por Rússia e China, que consideram ser preciso agir de forma "responsável", levando em conta as possíveis conseqüências, como disse nesta sexta o embaixador da China na ONU, Wang Guangya.Paralelamente, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, Rússia e China -, além do Japão, estudam um texto de declaração presidencial apresentado por Pequim.Esse documento considera "deplorável" o lançamento de mísseis de teste pela Coréia do Norte, e pede que Pyongyang reafirme seu compromisso com o cumprimento da suspensão deste tipo de prova, assinado em 1999.A Coréia do Norte assinou essa moratória após, em 1998, lançar um míssil Taepodong-1 de médio alcance que sobrevoou o Japão, caiu nas águas do Pacífico e causou uma crise internacional.Declaração presidencialA Rússia e a China, que têm poder de veto, expressaram desde o início sua preferência por uma declaração presidencial, que não é vinculativa e deve ser adotada por consenso entre os 15 membros do Conselho de Segurança, em vez de uma resolução, que tem caráter obrigatório e é aprovada por votação.Segundo fontes diplomáticas, a minuta da declaração presidencial está em tom mais suave que o projeto de resolução japonês, e não ameaça impor nenhum tipo de medida de sanção.O governo da Coréia do Norte acusa o Japão de "acender o pavio dos mísseis", por considerar que Tóquio tenta colocar a comunidade internacional contra Pyongyang.A crise internacional começou na quarta-feira, quando a Coréia do Norte testou sete mísseis, todos lançado no mar do Japão sem causar nenhum dano. Os lançamentos, aparentemente, incluíram um míssil Taepodong-2 - que poderia atingir o oeste dos EUA -, que falhou em menos de um minuto depois do lançamento.As conseqüências que poderiam ser geradas pelo texto enviado pelo governo japonês são incertas. De um lado os testes deixaram a China em uma posição desconfortável, já que o governo de Beijing teria pedido diversas vezes para a Coréia do Norte não ir em frente com os lançamentos. Os membros do Conselho de Segurança ainda estão discutindo o formato da resposta deste órgão às ações da Coréia do Norte, enquanto Pyongyang já ameaçou o Japão de que a imposição de sanções seria o equivalente a uma "declaração de guerra".

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