AP Photo/Shizuo Kambayashi
AP Photo/Shizuo Kambayashi

Japão aprova lei que permitirá abdicação do imperador Akihito

Ele deseja abandonar o trono e entregá-lo ao príncipe herdeiro Naruhito em razão de sua idade avançada e a saúde delicada

O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2017 | 23h34

TÓQUIO - A Câmara Alta do Parlamento do Japão aprovou nesta sexta-feira a proposta legislativa que permitirá ao imperador Akihito ceder o trono a seu filho, o príncipe herdeiro Naruhito, naquela que será a primeira abdicação neste país em 200 anos.

A promulgação ocorre dez meses após o monarca de 83 anos expressar seu desejo de abandonar o trono em razão de sua idade avançada e saúde delicada, uma possibilidade que a lei que rege a Casa Imperial japonesa não contemplava.

O Executivo espera que, uma vez superados os procedimentos parlamentares, a abdicação aconteça em 2018, data que teria sido sugerida pelo chefe de Estado a funcionários da Agência da Casa Imperial.  Apesar de só a abdicação póstuma estar prevista na lei vigente de 1947, no passado metade dos 125 imperadores que ocuparam o Trono do Crisântemo puderam deixá-l0.

A saúde do imperador Akihito se viu debilitada nos últimos anos. Ele se submeteu a uma cirurgia cardíaca em 2012 e sofre de osteoporese em razão do tratamento hormonal ao qual foi submetido para trata um câncer de próstata em 2003.

Reforma. O órgão legislativo aprovou também uma resolução não vinculativa que insta o governo a abrir o debate sobre a permanência das mulheres na realeza após o casamento e a possibilidade de estabelecer ramos colaterais femininos da família para solucionar a redução da quantidade de seus membros.

Akihito assumiu o trono em 1989, após a morte de seu pai, Hirohito. Quem assumirá o trono será Naruhito. Depois dele, seu irmão, o príncipe irmão Akishino, e o filho deste, Hisahito, de 10 anos, são os possíveis sucessores.

Contudo, não há mais herdeiros masculinos após Hisahito e a linha de vários séculos de sucessão masculina pode ser interrompida se ele não tiver um filho. Uma solução seria, para alguns, restituir aos membros da família imperial os títulos que foram retirados pelas vastas reformas realizadas durante a ocupação americana após a derrota japonesa na 2.ª Guerra.

O jornal conservador Sankei Shimbun destaca em um editorial a importância da "história de 125 gerações de sucessões masculinas". "Em um momento no qual o número de membros da família do imperador e da imperatriz diminui, devemos pensar seriamente em medidas que protejam a família imperial", escreve a publicação, ao defender o restabelecimento dos títulos perdidos. / EFE e AFP

Tudo o que sabemos sobre:
TÓQUIONaruhitoAkihito

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.