Japão aprova projeto educacional que instiga patriotismo

O Parlamento japonês aprovou nesta quinta-feira uma lei que exige que as escolas do país instiguem o "amor ao país" nas crianças. Com a aprovação nas Câmaras alta e baixa, a promulgação da lei é quase certa. O Partido Liberal Democrata e seu aliado "New Komeito" querem revisar a lei de educação do país, promulgada no fim da Segunda Guerra Mundial, e incentivar o patriotismo entre os jovens. Ensinar o patriotismo, uma idéia usada pelos militares durante o governo da Segunda Guerra, é um tabu no país. A revisão na lei, peça central da agenda do primeiro-ministro conservador Shinzo Abe, tem uma forte oposição do legislativo, que boicotou a votação nesta quinta-feira. O projeto também é contestado pela dificuldade de coordenação entre escolas, famílias e comunidades, enquanto questiona a importância dos pais na educação das crianças e as oportunidades de ensino contínuo. Apesar disso, o projeto foi aprovado na quarta-feira por um comitê da Câmara Baixa, depois que membros da oposição boicotaram a votação. O primeiro-ministro afirmou que a proposta foi "suficientemente" debatida no parlamento. "Eu espero que haja uma discussão maior e mais profunda na Câmara alta", afirmou Abe. A lei, que para ser promulgada precisa ser aprovada pela maioria das duas Câmaras, agora vai ser encaminhada para votação na Câmara alta, provavelmente em dezembro, antes do dia 15, quando o ano legislativo é encerrado no Japão. Pela ênfase que a lei da à moral, ética e patriotismo, alguns oposicionistas estão comparando a proposta ao Ato Imperial Educacional de 1890. Na época, as crianças eram ensinadas a ter lealdade aos pais, respeitar as leis e se sacrificarem pelo imperador. Em 1948, depois que o Japão foi derrotado na guerra e os Estados Unidos invadiram o país, o Ato foi abolido. A lei educacional de 1947 ajudou a desenvolver metas educacionais, impulsionar a economia e promover a democracia no país, mas "negligenciou a moral, ética e disciplina", segundo Abe. "Todos compartilham a percepção de uma crise, e sentem a necessidade de reconstruirmos nossa educação", apontou o primeiro-ministro.

Agencia Estado,

16 Novembro 2006 | 10h40

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