REUTERS/Issei Kato
REUTERS/Issei Kato

Japão busca sobreviventes em destroços após enchentes

Chuvas torrenciais deixaram ao menos 176 mortos no oeste do país; autoridades falam em 10 desaparecidos, mas mídia afirma que são 50

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 20h43
Atualizado 11 Julho 2018 | 05h06

TÓQUIO - As equipes de resgate do Japão se esforçavam nesta terça-feira, 10, para encontrar sobreviventes entre os destroços deixados pelas chuvas intensas no oeste do país, que deixaram ao menos 176 mortos. Autoridades disseram não ter notícia de ao menos uma dezena de pessoas, mas a imprensa local afirma que o número de desaparecidos supera 50. Esta é a maior tragédia provocada por um fenômeno meteorológico no Japão desde 1982.

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O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que cancelou uma viagem a vários países da Europa e Oriente Médio, visitará nesta quarta-feira, 11, a região afetada, informou o porta-voz do governo, Yoshihide Suga. Abe visitará um centro de acolhimento em Kurashiki, cidade onde o rio que abastece a represa local alagou e atingiu residências.

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Quase 8,4 mil pessoas que abandonaram suas casas permaneciam em refúgios na terça-feira, 10, enquanto outras seguiram para as casas de parentes. “Os 75 mil policiais, bombeiros, soldados das Forças de Autodefesa (nome do Exército japonês) e da Guarda Costeira fazem o possível para ajudar os afetados, declarou Suga.

As buscas e trabalhos de limpeza prosseguiram na terça-feira, 10, sob um intenso sol, com temperaturas previstas de 35º C. “Nas atuais circunstâncias, os socorristas precisam de uma grande vigilância pelo risco de insolação, assim como pela possibilidade de novos deslizamentos de terra”, disse o porta-voz.

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As fortes chuvas registradas entre sexta-feira e domingo provocaram grandes inundações, ondas de lama e muitos danos, que deixaram vários moradores bloqueados, apesar das ordens – não obrigatórias – e recomendações para que milhões de pessoas abandonassem suas casas.

No bairro Mabi, na cidade de Kurashiki, a água começa retroceder, deixando uma camada de barro. Se não fosse pela presença de placas em japonês, a cena seria similar a algo visto no Velho Oeste americano.

Socorristas percorriam as ruas cobertas de destroços arrastados pela corrente, enquanto os moradores começavam a limpar a região. “Continuamos as buscas em Mabi, verificamos cada casa para garantir que não há pessoas presas”, afirmou uma fonte do governo regional de Okayama. “Também oferecemos serviços de banho quente e distribuímos água. Sabemos que é uma batalha contra o tempo e fazemos todos os esforços possíveis.” 

Em Kurashiki, de 483 mil habitantes, 8,9 mil casas estavam sem água corrente, um problema que afeta mais de 200 mil moradias no oeste do país. Nas áreas em que havia construções nas encostas das montanhas, os deslizamentos destruíram as casas e alguns bairros foram completamente tomados pelo barro. 

Em 72 horas foram registrados recordes pluviométricos em 118 pontos de observação de 15 municípios. Mais de 70% do território japonês é formado por montanhas e colinas e muitas casas estão construídas em encostas íngremes ou em planícies suscetíveis a inundações. / AFP

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