Japão cancela doação de US$ 4,8 milhões a Mianmar

Doação era destinada a financiar a construção de um centro na Universidade de Rangun

Efe,

16 de outubro de 2007 | 02h19

O Japão vai cancelar uma doação a Mianmar (antiga Birmânia) de 552 milhões de ienes (US$ 4,8 milhões) devido a sua "forte preocupação" sobre a situação dos direitos humanos nesse país, informou nesta terça-feira a agência Kyodo.  Veja também:Junta de Mianmar condena declaração da ONU contra repressão Entenda a crise e o protesto dos monges  A doação era destinada a financiar a construção de um centro na Universidade de Rangun com cursos de japonês, economia japonesa e administração de empresas. O ministro de Assuntos Exteriores japonês, Masahiko Komura, justificou nesta terça-feira, 16, esta decisão por sua "forte preocupação" pela situação da democracia e os direitos humanos em Mianmar. "O Japão tem que mostrar sua postura e não pode estar, na prática, apoiando a junta militar neste momento", assegurou o ministro japonês. A decisão foi tomada semanas depois de um jornalista japonês, Kenji Nagai, morrer pelos disparos de militares birmaneses que repeliam uma manifestação a favor da democracia em Rangun. Em um primeiro momento, o Japão, o principal doador de Mianmar, se mostrou reticente em reduzir as ajudas a esse país asiático ou a impor sanções. Esta mudança de rumo aconteceu após a recente declaração do Conselho de Segurança das Nações Unidas, na qual deplorava "com firmeza" a violenta repressão exercida pelo regime de Rangun contra as manifestações pacíficas. No entanto, Masahiko Komura reiterou que o Japão continuará ajudando o povo birmanês através de programas de vacinação contra a pólio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Além disso, o ministro de Assuntos Exteriores assegurou que o Japão continuará com seus esforços para "persuadir o governo de Mianmar para que escute a mensagem da comunidade internacional para avançar em direção à democratização verdadeira". O governo do Japão aprovou durante o ano fiscal 2006 um total de 3 bilhões de ienes (US$ 26,1 milhões) em subvenções e ajuda técnica para Mianmar. No entanto, desde o golpe de Estado de 1988 em Mianmar, o Japão não realizou empréstimos à junta militar. A assistência financeira japonesa a Mianmar nos últimos cinco anos foi centrada em três projetos que pretendem evitar o desmatamento do país, formar no Japão funcionários birmaneses e reduzir a mortalidade infantil.

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