Japão: césio radioativo é encontrado no entorno de usina

A primeira investigação abrangente da contaminação do solo no entorno da usina nuclear Daiichi, em Fukushima, mostrou que 33 localidades, em uma grande área, foram contaminadas por césio radioativo, informou o governo do Japão nesta terça-feira.

AE, Agência Estado

30 de agosto de 2011 | 09h27

A pesquisa de 2.200 localidades, em um raio de 100 quilômetros da usina, concluiu que em 33 localidades havia um excesso de césio-137 de 1,48 milhão de becquerels por metro quadrado. Esse nível foi estabelecido pela então União Soviética para determinar o reassentamento forçado das pessoas em áreas de risco, após o desastre de Chernobyl em 1986.

Outras 132 localidades tinham uma quantidade combinada de césio-137 e césio-134 de mais de 555 mil becquerels por metro quadrado. Nesse nível, a União Soviética determinava a saída voluntária das pessoas e proibia a agricultura.

Autoridades do Japão afirmaram que os níveis mais altos registrados estão na atual área onde já há uma ordem de retirada das pessoas. Em geral, essa área fica em um raio de 20 quilômetros no entorno da usina, e também em algumas cidades a noroeste onde já foram detectados altos índices de contaminação.

O césio-137 tem uma meia-vida de 30 anos, ou seja, as emissões radioativas desse material se reduzirão apenas pela metade após três décadas, afetando o ambiente por várias gerações. O césio-134 é considerado um problema um pouco menor, pois sua meia vida é de dois anos.

Na semana passada, autoridades japonesas afirmaram esperar que os níveis de radiação caiam pela metade em áreas no entorno da usina em dois anos, pela tendência natural dos componentes radioativos e pelos esforços de limpeza. Porém os últimos dados mostram que o césio poderia ser carregado pela água e se espalhar por outras áreas, possivelmente contaminando rios, terras mais baixas e o oceano.

A província de Gunma, a norte de Tóquio, informou na segunda-feira que havia na região peixes com contaminação maior que a legalmente permitida. É o primeiro caso do tipo localizado fora da província de Fukushima.

Também nesta terça-feira, a companhia Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da usina Daichii, informou que um trabalhador de 40 anos morreu de leucemia aguda, após trabalhar por sete dias no local. A radiação recebida por esse funcionário foi de 0,5 millisievert, bem abaixo do limite legal. A Tepco afirmou que dificilmente a morte estava relacionada com o trabalho do homem. As informações são da Dow Jones.

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