Japão cogita deixar negociações sobre caça às baleias

O ministro da Agricultura e Pesca do Japão, Masahiko Yamada, culpou países contrários à caça às baleias pelo fracasso das negociações da Comissão Internacional da Baleia. Ele também questionou se o Japão deveria continuar no fórum. As negociações do organismo, formado por 88 integrantes, sobre o futuro da caça comercial foram interrompidas ontem durante sua reunião anual no Marrocos. Países favoráveis e contrários à caça do animal não conseguiram superar um impasse que já dura décadas.

AE, Agência Estado

24 de junho de 2010 | 16h00

"Se ainda não conseguimos chegar a um acordo, eu tenho de questionar se o Japão realmente tem de permanecer em discussões tão inúteis", afirmou o ministro aos jornalistas. Já o porta-voz do ministério, Kazuo Kodama, disse aos jornalistas que "enquanto permanece incerto como a negociação vai seguir, o governo do Japão pretende tomar parte nas negociações de forma constante".

Os países têm debatido o esboço de um acordo para suspender a moratória de 24 anos para a caça comercial de baleias por dez anos. Em troca, querem que o Japão concorde em cortar gradualmente o número de baleias mortas. "O Japão fez todas as concessões que podia fazer, o que foi um esforço substancial e que exigiu tempo", disse Yamada à emissora pública NHK.

O Japão, juntamente com a Islândia e a Noruega, continua a usar brechas legais para burlar a proibição de caça à baleia estabelecia em 1986, tendo matado mais de 1.500 mamíferos marítimos apenas na temporada 2008-2009. Muitos países contrários à caça à baleia - Austrália, Grã-Bretanha, Alemanha e a maioria da América Latina - pedem que o Japão interrompa a caça em águas da Antártida. O Japão concordou em reduzir a caça nas águas do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, mas não em zerar as capturas. Importantes grupos ambientalistas culpam o Japão pelo colapso nas negociações. As informações são da Dow Jones.

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