REUTERS/Yuya Shino
REUTERS/Yuya Shino

Japão começa a emitir certificados em que reconhece parcerias gays

Medida abriu debate sobre igualdade de gêneros no país; apesar de documentos não fornecerem nenhum reconhecimento legal de uniões entre pessoas do mesmo sexo, japoneses acreditam que decisão é um começo importante

O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2015 | 10h45

TÓQUIO - Dois distritos de Tóquio emitiram nesta quinta-feira, 5, os primeiros certificados do Japão reconhecendo oficialmente parcerias entre pessoas do mesmo sexo. A medida é um grande passo para casais gays em um país onde ser abertamente homossexual ainda é um grande tabu.

A decisão é pequena se comparada aos EUA, que legalizaram o casamento gay em todos os 50 estados. A aprovação deu início a uma discussão sem precedentes sobre igualdade de gênero e abriu caminho para outras cidades japonesas considerarem medidas semelhantes.

A comunidade LGBT tem sido praticamente invisível no Japão, e a legalização da união civil parece um sonho distante.

Hiroko Masuhara, de 37 anos, e Koyuki Higashi, de 30 anos, chegaram à Prefeitura do distrito de Shibuya no começo da manhã para retirar o certificado que permitirá a elas alugar um apartamento, se visitarem no hospital e uma série de outros benefícios como um casal.

“Estou animada que a cidade onde vivo reconheceu minha parceira como parte da minha família”, disse Hiroko.

Os distritos de Shibuya e Setagaya, considerados os mais ricos dentre os 23 de Tóquio, começaram a emitir os certificados nesta quinta-feira. Ainda que os documentos não forneçam nenhum reconhecimento legal de uniões entre pessoas do mesmo sexo, todos concordam que é um começo importante.

“Espero que esse seja um passo a diante não apenas para Tóquio, mas para que todo o Japão se torne um lugar mais confortável para se viver, pois os LGBTs estão em todo o país”, disse Koyuki. Mesmo assim, ela afirma que ainda não abandonou o sonho de um dia poder se casar legalmente.

O prefeito de Shibuya, Ken Hasebe, que concorreu ao gabinete com uma campanha favorável aos direitos dos homossexuais, parabenizou o casal. “Levou muito tempo para chegar até aqui”, disse.

O governo do país, incluindo o primeiro-ministro Shinzo Abe, afirmou que é preciso ter “muito cuidado” ao considerar fazer ou não mudanças na Constituição permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“A humanidade vai se deteriorar com poucas crianças nascendo. Se queremos deixar descendentes, os casais devem ser de gêneros diferentes”, disse Tetsuyuki Akiyoshi, antigo morador de Shibuya.

Mas os japoneses mais novos são normalmente favoráveis aos direitos dos LGBTs, e o novo ministro de Educação do Japão, Hiroshi Hase, surpreendeu a comunidade no mês passado ao jurar em uma entrevista que promoveria os direitos dos homossexuais diante da proximidade das Olimpíadas de Tóquio em 2020. /REUTERS e EFE

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