Japão concede visto a ex-premiê tailandês foragido

O Japão informou nesta segunda-feira que concedeu um visto ao ex-premiê tailandês Thaksin Shinawatra, que está foragido e vive no exílio em Dubai, a fim de impulsionar os laços com a Tailândia sob um novo governo liderado pela irmã dele.

REUTERS

15 de agosto de 2011 | 12h17

Tóquio disse que o novo governo tailandês, da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, pediu que o Japão concedesse o visto -- um ato que representa uma revogação da posição da administração tailandesa anterior, que retirou os passaportes do bilionário e buscou insistentemente sua extradição para que ele cumprisse uma sentença de 2 anos de prisão por abuso de poder.

"A política do governo de Yingluck é a de não proibir o ex-primeiro-ministro Thaksin de viajar para qualquer país. Ela pediu a nossa ajuda para que ele visitasse o Japão e recebesse um visto", disse Yukio Edano, porta-voz do governo japonês, em uma coletiva de imprensa.

"Considerando os laços bilaterais, tínhamos que responder baseando-nos no pedido oficial do atual governo".

Thaksin, de 62 anos, fugiu para o exterior em 2008, poucas semanas depois de ser sentenciado. Ele insiste que sua condenação faz parte de uma vendeta de políticos da oposição, que segundo ele tentaram derrubar seu governo em um golpe em 2006 e pressionaram juízes a prendê-lo.

A questão do visto provocou agitação na Tailândia, onde Thaksin é uma figura polêmica, amada por milhões de pobres nas zonas urbana e rural, mas odiado pela maioria dos tailandeses da classe média, que o consideram um autocrata corrupto e querem vê-lo atrás das grades.

O momento do pedido de visto foi uma surpresa, porque até agora Yingluck havia tratado as questões relativas a seu irmão com cuidado, rejeitando alegações de que seria sua testa-de-ferro e distanciando-se de negociações para seu possível retorno do exílio.

Muitos analistas previram que Thaksin tentaria manter um comportamento discreto e esperar que o governo se consolidasse antes de fazer qualquer coisa que pudesse enfurecer seus oponentes políticos no Exército e no establishment e pôr em risco o governo de sua irmã.

Yingluck, de 44 anos, entrou para a política há apenas três meses e seu partido, o Puea Thai, venceu as eleições de 3 de julho por esmagadora maioria, com uma campanha que seguiu o mesmo tipo de políticas populistas de seu irmão, eleito duas vezes, em 2001 e em 2005.

Thaksin, que vive em Dubai e viaja com passaportes da Nicarágua e de Montenegro, deve falar com jornalistas em Tóquio na próxima semana e visitar partes do Japão que foram devastadas pelo terremoto e tsunami em março.

(Reportagem de Yoko Kubota)

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