Japão cria zona de exclusão nuclear;premiê enfrenta mais crítica

O Japão anunciou na quinta-feira que vai proibir a entrada de qualquer pessoa na zona de exclusão de 20 quilômetros em torno da usina nuclear de Fukushima Daiichi, ao norte de Tóquio, semanas depois de a usina ter sido destruída por um tsunami e começado a vazar radiação.

YOKO KUBOTA E KAZUNORI TAKADA, REUTERS

21 de abril de 2011 | 10h19

Dezenas de milhares de pessoas deixaram a área depois de o terremoto de 11 de março ter abalado a usina, operada pela Tokyo Electric Power Company (Tepco), mas algumas têm retornado para buscar seus pertences, enquanto a empresa luta para conter a mais grave crise nuclear do mundo desde Chernobyl, em 1986.

Quando visitou um abrigo para pessoas que perderam suas casas na região devastada, o primeiro-ministro Naoto Kan, que já enfrentava críticas por sua gestão da crise, foi repreendido publicamente pela reação lenta de seu governo.

O secretário-chefe do gabinete, Yukio Edano, disse em coletiva de imprensa que, a partir da meia-noite da quinta-feira, pessoas só poderão entrar na zona se estiverem sob supervisão governamental.

"Vamos tomar medidas legais intransigentes contra pessoas que tentem ingressar na área. Aos moradores, só posso pedir sua compreensão para que não sejam tomadas medidas legais contra eles."

Qualquer pessoa que desrespeite a proibição poderá ser multada em até 100 mil ienes (1.200 dólares) ou enfrentar detenção policial temporária.

A Tepco já declarou que pode levar o resto do ano ou ainda mais tempo para controlar a usina.

Mais de 130 mil pessoas ainda estão vivendo em ginásios de esportes de escolas ou outros abrigos, mais de um mês após o terremoto e tsunami de 11 de março que deixaram cerca de 28 mil mortos ou desaparecidos.

Kan, que já era impopular antes dos desastres, vem sendo criticado não apenas pela oposição, mas também por vozes de seu próprio partido devido à maneira como vem enfrentando a crise que se arrasta.

A Tepco quer fazer o "fechamento a frio" da usina, situada a 240 quilômetros de Tóquio, no prazo de seis a nove meses, algo que especialistas dizem que será difícil de realizar.

Esta semana a empresa começou a bombear água altamente contaminada de um dos reatores, uma medida chave para o reparo do sistema de resfriamento que regula a temperatura dos bastões de combustível radiativo.

Mas os níveis da água não mudaram. É o mais recente em uma litania de problemas que os engenheiros da empresa enfrentam desde que a crise começou e que já incluiu o bombeamento de água radiativa no mar, o que provocou a preocupação dos países vizinhos.

De acordo com a agência de notícias Kyodo, a quantidade de radiação presente na água jogada no mar entre 1 e 6 de abril foi 20 mil vezes superior à quantidade que a Agência japonesa de Segurança Nuclear e Industrial autoriza ser lançada ao ar livre anualmente pela usina.

Em carta reproduzida em vários jornais chineses na quinta-feira, Kan expressou "profundo pesar" com o desastre nuclear e disse que os produtos japoneses ainda estão seguros para consumo.

A Tepco insiste que, embora os bastões de combustível de três dos seis reatores da usina tenham sido danificados quando se derreteram parcialmente após o terremoto, eles não se encontram em "estado de derretimento".

(Reportagem adicional de Chisa Fujioka)

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