Japão defende direito de fazer ataque preventivo

Dias após teste nuclear norte-coreano e em meio a disputa com China por ilhas, ministro diz que segurança na Ásia mudou

TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h02

O ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, disse ontem que o país tem o direito de reforçar sua capacidade de defesa com vistas a um possível ataque preventivo contra uma iminente agressão, em razão a mudanças que se verificam na área da segurança. Ele disse que o país não têm planos de ataque.

Qualquer sinal de que o Japão estaria reforçando sua força de defesa numa resposta ao programa nuclear norte-coreano poderá inquietar seus vizinhos, China e Coreia do Sul, que já reagiram vigorosamente contra esta ideia em ocasiões passadas.

"Quando a intenção de um ataque contra o Japão ficar evidente, a ameaça for iminente e não houver nenhuma outra opção, o Japão, por lei, pode atacar alvos inimigos", declarou Onodera em entrevista à Reuters.

"Diante da sua índole política e o tipo de diplomacia direcionada para a paz que o país adota, não é momento para tais preparativos. Mas precisamos observar atentamente as mudanças que surgirem na área da segurança na região", disse.

A Coreia do Norte realizou seu terceiro teste nuclear na terça-feira, tendo sido criticada por EUA, Japão, Europa e seu único grande aliado, que é a China. Onodera afirmou que o Japão necessita reforçar seu sistema de defesa contra mísseis balísticos face à ameaça norte-coreana.

O ministro não quis dizer se é urgente suspender a proibição, estabelecida na Constituição, de o país exercer o direito de autodefesa coletiva ou apoiar um aliado que esteja sendo atacado. O exercício deste direito é proibido pela Constituição pacifista do Japão, mas o primeiro-ministro Shinzo Abe deixou claro que pretende revogar essa cláusula.

Onodera insistiu que a China se una a EUA, Japão e outros países para impor sanções ainda mais severas à Coreia do Norte, observando que Pyongyang realizou seu teste nuclear contrariando recomendação da China para não seguir adiante com a experiência. "Acho que a China é o país mais preocupado com o desenrolar da situação."

Onodera insistiu que a China deve trabalhar com o Japão no estabelecimento de uma linha direta de comunicação e outros meios de contato entre Tóquio e Pequim para impedir qualquer confronto acidental envolvendo as ilhotas do Mar da China Oriental, reiterando que tais ilhas pertencem ao Japão.

As relações sino-japonesas esfriaram drasticamente depois que o governo do Japão nacionalizou três das ilhas que são objeto da disputa, chamadas Senkaku no Japão e Diaoyu na China.

A briga se intensificou e os dois lados enviaram caças para a região, enquanto navios de patrulhamento de ambos os países passaram a se vigiar, provocando temores de que uma colisão indesejada ou qualquer outro incidente pudesse levar a um confronto mais sério. "Já foi firmado um acordo preliminar entre Japão e China no sentido de criarmos um mecanismo de comunicação marítima", afirmou o ministro. "Tal mecanismo deve abranger reuniões anuais, encontros de especialistas, linhas diretas de comunicação entre membros do alto escalão do governo e comunicações diretas entre navios e aviões na área."

Onodera disse que uma fragata chinesa apontou seu radar de rastreamento de alvo para um destróier japonês no dia 30 - medida que geralmente precede disparos de bombas. Mas a China insistiu que seu navio usou apenas seu radar de vigilância. Ele disse também na entrevista que o Japão tem dados que apoiam sua alegação, mas foi cauteloso em fornecer mais informações. "Temos dados irrefutáveis. Mas sua divulgação também pode revelar nossos vários recursos de defesa." / NYT

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