Japão detecta iodo radioativo na água da torneira em Tóquio

Autoridades também encontraram radiação acima do limite em leite e comida na região da usina nuclear atingida

AE, com agências internacionais, Agência Estado

19 de março de 2011 | 09h09

O Ministério de Ciência do Japão informou hoje que vestígios de uma substância radioativa incomum foram detectados na água da torneira em Tóquio e em outras cinco cidades próximas. Contudo, as quantidades são muito pequenas para representarem uma ameaça à saúde humana.

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Um porta-voz do ministério disse que iodo radioativo foi encontrado na água da torneira em Tóquio, bem como nas províncias de Saitama, Chiba, Ibaraki, Gunma e Niigata. O governo começou a monitorar a presença de materiais radioativos na água hoje, de acordo com um porta-voz, e continuará checando diariamente a partir de agora.

A descoberta pode intensificar preocupações com vazamento radioativo da usina nuclear de Daiichi, em Fukushima, localizada a poucas centenas de quilômetros da capital do país.

O Ministério de Saúde do Japão informou mais cedo que quantias anormais de um material radioativo haviam sido encontradas em espinafres cultivados a cerca de 100 quilômetros da usina, na cidade vizinha de Ibaraki. As informações são da Dow Jones.

Comida contaminada

O Japão também disse que os níveis de radiação encontrados em espinafre e leite produzidos em fazendas próximas ao complexo nuclear atingido pelo tsunami excederam os limites de segurança do governo, enquanto equipes de emergência tentavam no sábado restaurar o fornecimento de energia para a usina nuclear e resfriar o reator.

A comida analisada vem de fazendas a cerca de 100 quilômetros da usina nuclear, o que sugere uma área de contaminação expandida.

Enquanto os níveis de radiação excederam os limites permitidos pelo governo, o secretário do cabinete do governo, Yukio Edano, insistiu que os produtos "não oferecem risco à saúde imediato".

Bombeiros também bombearam toneladas de água diretamente do oceano para uma das principais áreas atingidas na usina nuclear de Daiichi, em Fukushima: a piscina de resfriamento de combustível nuclear usado da unidade 3 da usina. O combustível nuclear correm o risco de queimar e espalhar o material radioativo para o ambiente.

A primeira notícia sobre comida contaminada na crise do Japão é mais um problema para as graves consequências do desastre que se seguiu ao terremoto de magnitude 9,0 em 11 de março. O terremoto provocou um tsunami que devastou a costa nordeste do Japão, matando mais de 7,2 mil pessoas e afetando os sistemas de resfriamento da usina nuclear, e um vazamento de radiação.

O leite contaminado foi encontrado a 30 quilômetros da usina, enquanto que o espinafre foi coletado entre 80 quilômetros e 100 quilômetros ao sul, disse o secretário Edano aos repórteres em Tóquio.

Mais testes estavam sendo realizados em outros tipos de comida, ele afirmou, e se eles demonstrarem uma contaminação mais ampla, as entregas de comida serão interrompidas na área.

"Não é algo que se você comer, será logo prejudicial", disse Edano. "Não seria bom a comer o alimento por um período contínuo."

Edano disse que beber o leite contaminado por um ano seria como receber a mesma quantidade de radiação do que uma tomografia computadorizada. A ingestão do espinafre seria o equivalente à um quinto da radiação recebida também por uma tomografia.  (Com AP)

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