Japão discute estatização de usinas nucleares

Premiê disse que há sérios problemas na lei sobre compensações em caso de problemas com usinas

GABRIEL BUENO, Agência Estado

12 de julho de 2011 | 10h15

TÓQUIO - Com a possibilidade de que a Tokyo Electric Power (Tepco) tenha de pagar grandes indenizações pelo desastre na usina Daiichi, em Fukushima, o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse nesta terça-feira, 12, que é preciso ocorrer um debate sobre se as usinas nucleares do país devem ou não ser estatais.

"Deve haver um debate sobre se as companhias privadas deveriam manter operações de energia nuclear", afirmou Kan, falando ao Comitê de Reconstrução da Câmara dos Deputados. O premiê disse que há sérios problemas na lei sobre compensações em caso de problemas com usinas nucleares.

Pela lei atual, os operadores das usinas são responsáveis pelos estragos de um acidente nuclear, sem limites, a menos que o acidente seja causado por causas naturais fora de controle. A Tepco deve enfrentar pedidos de pelo menos 1 trilhão a 2 trilhões de ienes pelo desastre na usina Daiichi, causado por um terremoto seguido de tsunami em 11 de março.

"A atual lei de indenização não parece ser adequada para lidar com um grande acidente nuclear", avaliou Kan. "Nós também precisamos discutir possíveis revisões na lei", prosseguiu, apontando que a energia nuclear deve seguir como parte da produção de eletricidade do Japão por muitos anos ainda, mesmo que seu uso seja gradualmente reduzido.

O comitê se reuniu para discutir um projeto de lei para auxiliar a Tepco a lidar com o alto custo das indenizações. Kan defendeu seu plano de realizar novos testes em todas as usinas do país, dizendo que não deseja bloquear a retomada das operações em usinas atualmente inativas. "Eu nunca tive essas ideias preconcebidas", afirmou.

O premiê propôs os testes na semana passada, no momento em que dois reatores na usina Genkai, da Kyushu Electric Power, estavam perto de voltar a operar. Ele se desculpou por não comunicar adequadamente mais informações sobre os testes, mas disse que eles representarão um avanço para se garantir a segurança do setor. As informações são da Dow Jones.

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