Japão diverge sobre radiação em Fukushima

Novo tremor leve na região da tragédia provoca alerta de tsunami, suspenso após duas horas

AP e Reuters, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2011 | 00h00

A Agência de Segurança Nuclear japonesa declarou ontem que os níveis de radiação na água localizada perto do reator 2 da usina nuclear de Fujushima estavam 10 milhões de vezes acima do normal. A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que controla a usina, negou a informação e em seguida admitiu: não sabe o grau exato de contaminação.

As evidências de que havia perigo de contaminação no reator 2 da usina nuclear de Fukushima surgiram dias depois que três trabalhadores foram expostos a altos níveis de radiação enquanto consertavam um sistema de resfriamento no reator 3. Dois dos três homens foram queimados por raios beta depois de andarem dentro da água com níveis de radiação bem acima do normal - os trabalhadores devem receber hoje alta do hospital.

A divergência de ontem fez oficiais japoneses e executivos da Tepso serem ainda mais pressionados a dar informações precisas e rápidas. Governo e empresa têm sido criticados.

No fim de semana, houve pequenos progressos na remoção de água contaminada e resfriamento dos reatores com água doce, em vez da corrosiva água do mar, como vinha sendo feito. Mas Yukiya Amano, diretor geral da Agência de Segurança Nuclear japonesa, alertou que a situação de emergência deve continuar por semanas, possivelmente meses. "É um acidente muito grave. E ainda não acabou", disse Amano ao The New York Times.

Estado de alerta. Enquanto governo e empresa não chegam a um consenso sobre os níveis de radiação, os japoneses sofrem com novos e frequentes tremores, que apesar da baixa intensidade, obrigam a população a retomar as precauções contra outro desastre.

Na noite de ontem (horário de Brasília), um terremoto de magnitude 6,5 na escala Richter atingiu o nordeste do país, levando a Agência Meteorológica do Japão a lançar um alerta de tsunami iminente na região de Miyagi, uma das mais devastadas pelo terremoto de 11 de março. Não houve relatos de feridos ou outros danos. O comunicado foi liberado às 7h23 da manhã de segunda, pelo horário japonês. Eram esperadas ondas de cerca de meio metro. Por isso, o alerta de tsunami foi cancelado às 9h05 do horário local.

O tremor ocorreu a 5,9 km de profundidade, nas proximidades da costa de Honshu, segundo informou a agência geológica americana (USGS, na sigla em inglês), que registra os terremotos ocorridos pelo mundo.

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