Japão e Coréia do Norte mantêm conversações

O Japão iniciou nesta segunda-feira conversações para levar a Coréia do Norte a pôr fim a seu programa de armas nucleares e aliviar as tensões causadas pelo seqüestro, há décadas, de cidadãos japoneses. No entanto, funcionários japoneses admitiram hoje que "os obstáculos são muito grandes", enquanto ambos os países iniciavam conversações visando o estabelecimento de relações diplomáticas. As conversações, possibilitadas por uma cúpula sem precedentes entre os dirigentes das duas nações no mês passado, indicam um importante avanço entre o enigmático país comunista e sua outrora metrópole colonial. O chefe da delegação japonesa, Katsunari Suzuki, admitiu nesta segunda-feira que as conversações de dois dias, que se iniciarão na terça-feira na Malásia, serão difíceis. "Os obstáculos são muito grandes. Mas faremos o maior esforço para aproveitarmos esta porta aberta pelo primeiro-ministro", disse Suzuki. Tóquio se nega a estabelecer relações normais enquanto não se esclarecerem os temas dos seqüestros e das armas nucleares. "Esperamos obter avanços importantes", acrescentou Suzuki. A prioridade do Japão, disse, é o regresso dos cinco japoneses que foram seqüestrados em 1978 por espiões norte-coreanos. Tóquio deseja também que a Coréia do Norte permita que os filhos dos seqüestrados sejam repatriados para o Japão. Os cinco são os últimos sobreviventes de um grupo confirmado de 13 japoneses raptados entre o final dos anos 70 e os anos 80, e se encontram atualmente no Japão em seu primeiro retorno ao país, embora tenham deixado seus sete filhos na Coréia do Norte. A visita criou tensões entre os dois países. O governo de Pyongyang inicialmente desejava que os retornados permanecessem no Japão apenas uma ou duas semanas, mas Tóquio disse, na semana passada, que eles permaneceriam em seu território indefinidamente. Além disso, não se espera um acordo em torno da exigência japonesa de que a Coréia do Norte desista de seu programa de armas nucleares. O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, obteve ganhos políticos quando o dirigente norte-coreano Kim Jong Il admitiu que agentes de seu país haviam seqüestrado cidadãos japoneses, que foram usados para ensinar aos espiões norte-coreanos a cultura e a língua japonesa. Ao mesmo tempo, a Rússia ainda não está convencida de que a Coréia do Norte esteja desenvolvendo um programa para a construção de armas nucleares, disse nesta segunda-feira um alto funcionário de Moscou, segundo a agência de notícias russa ITAR-Tass. "Nós não recebemos informação sobre nenhuma evidência documentada (sobre a existência) de tal programa, nem por parte da Coréia do Norte nem dos EUA", teria dito o vice-chanceler Alexander Losyukov, segundo a mesma agência.

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