Japão e EUA assinam acordo para manter base militar em Okinawa

Países, no entanto, concordaram em transferir base para área menos populosa da ilha

AE-AP, Agência Estado

28 Maio 2010 | 18h18

Aeroporto militar da base de Futenma, que tem 2.000 fuzileiros navais  norte-americanos    

 

TÓQUIO- Estados Unidos e Japão concordaram nesta sexta-feira, 28, em manter uma base dos fuzileiros navais americanos na ilha de Okinawa. O primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, ressaltou a importância da aliança militar entre os dois países, em meio às crescentes tensões na vizinha península coreana.

Em comunicado conjunto, os dois aliados concordaram em mover o aeroporto militar da base para Henoko, um local mais tranquilo no norte da ilha. A decisão está em linha com um acordo fechado em 2006, no governo anterior. No entanto, o anúncio vai contra promessa de campanha de Hatoyama, o que enfureceu os moradores de Okinawa, que desejavam o fechamento total da base.

Em discurso na rede nacional de televisão, Hatoyama pediu desculpas aos japoneses por não ter cumprido a promessa. Mais da metade dos 47 mil soldados norte-americanos no Japão ficam na base de Okinawa. "Peço desculpas sinceras por não ter sido capaz de manter a minha palavra e pior ainda, ter decepcionado os moradores de Okinawa", disse.

Hatoyama afirmou que o governo japonês estudou mais de 40 lugares para receber o aeroporto militar, mas nenhum se mostrou adequado. Ele lembrou que o aeroporto, que também abriga helicópteros militares, é essencial para apoiar os fuzileiros navais numa emergência e lembrou que os eventos recentes na península coreana têm mantido a região "extremamente tensa". "Ná Ásia, ainda permanecem fatores instáveis e incertos, incluído o afundamento do navio de guerra sul-coreano pela Coreia do Norte", ressaltou.

Em Okinawa, cerca de mil pessoas se reuniram em frente à Prefeitura de Nago, onde protestaram contra o acordo.

Baixa

A decisão de Hatoyama já provocou uma baixa no seu gabinete. Ele demitiu nesta sexta-feira a ministra de Assuntos dos Consumidores e Igualdade de Gêneros, Mizuho Fukushima, porque ela se recusou a aceitar o acordo. "Eu não poderia trair o povo de Okinawa" disse a ex-ministra. "Eu não posso ser parte de um acordo que oprimirá Okinawa". Fukushima é do Partido Democrático Social, um partido pequeno que participa da coalizão de governo de Hatoyama.

EUA e Japão possuem um acordo militar assinado em 1960, o qual coloca o Japão sob a proteção militar total norte-americana. Em troca, o Japão permite que militares americanos façam amplo uso de terras e prédios na instalação de bases militares. Os países "reconheceram que uma presença militar robusta das forças americanas no Japão, no futuro, inclusive em Okinawa, nos proverá a capacidade necessária para a defesa do Japão e a manutenção da estabilidade regional", disse o comunicado conjunto.

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