Japão eleva para 5 o nível de gravidade do acidente nuclear em Fukushima

Governo indicou que a água lançada por caminhões-pipa sobre o reator 3 da usina aparentemente alcançou a piscina de combustível

Efe,

18 de março de 2011 | 07h58

 

OSAKA, Japão - A Agência de Segurança Nuclear do Japão elevou nesta sexta-feira de 4 para 5 o nível de gravidade do acidente nuclear na usina de Fukushima. O índice da Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos (INES, pela sigla em inglês) varia entre 0 e 7. Segundo a emissora de televisão estatal NHK, a agência já informou sobre a revisão a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo diretor, Yukiya Amano, chegou nesta sexta-feira ao Japão para obter informações em primeira mão sobre a situação em Fukushima.

 

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O nível 5 se refere a acidentes nucleares "com consequências de maior alcance", enquanto o grau 4, no qual os incidentes eram avaliados até agora, define acidentes "com consequências de alcance local". O nível 7, o mais alto na escala de medição, corresponde à liberação ao exterior de materiais radioativos com amplos efeitos na saúde humana e no meio ambiente.

 

O acidente na usina de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, é até hoje o único caso no mundo em que o nível máximo foi atingido. O terremoto e o posterior tsunami do dia 11 no nordeste do Japão danificaram o sistema de refrigeração da central, que enfrenta problemas de água em ebulição em seus seis reatores.

 

Segurança. Desde quinta-feira, a equipe de emergência da usina se esforça, com a ajuda de militares e bombeiros, para resfriar o reator 3 com lançamentos de água a partir de caminhões-pipa e helicópteros. O Governo do Japão indicou que a água lançada nesta sexta-feira por caminhões-pipa sobre o reator 3 da usina nuclear de Fukushima aparentemente alcançou a piscina de combustível, borrifada ontem com outras 64 toneladas de água.

 

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Governo, Yukio Edano, disse que não há "informação definitiva" sobre a situação nessa piscina, mas se mostrou otimista ao lembrar que dela se elevaram colunas de vapor, o que indicaria que a água chegou ao seu destino. Nesse recipiente se encontra uma grande quantidade de combustível utilizado que, ao descer o nível de água e se aquecer, pode entrar em ebulição e liberar radioatividade.

 

Edano indicou ainda que as operações para religar a eletricidade na central com o objetivo de restaurar, ao menos parcialmente, o sistema de refrigeração estão sendo realizados sem incidentes, mas não precisou quanto tempo irão durar.

 

Os empregados da Tokyo Electric Power Company (Tepco), a operadora da usina, tentam fazer com que cabos elétricos levados à central cheguem até a área dos reatores, onde a radioatividade teria diminuído após as operações de lançamento de água.

 

Em Fukushima foram mobilizados sete caminhões das Forças de Autodefesa (Exército) para a operação de lançar 50 toneladas de água sobre a unidade 3. Em outra frente, a temperatura aumentou nas piscinas de resíduos nucleares dos reatores 5 e 6, enquanto segue sem haver dados sobre a situação no reator 4, que agora é a maior preocupação, informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

A última informação sobre a temperatura da água na piscina da unidade 4 é apenas do dia 15 de março, quando marcou 84 graus centígrados, mais que o triplo do nível normal, de 25 graus. No reator 5, a água do tanque de combustível usado alcançou às 15h de quinta-feira (horário de Brasília) a temperatura de 65,5 graus, um aumento de 2,8 graus com relação à última medição conhecida no dia anterior. No reator 6, no mesmo horário, a temperatura da água chegou a 62 graus, 2 graus mais que na quarta-feira. Um gerador de emergência a diesel já está funcionando para permitir o bombeamento de água nas piscinas dos reatores 5 e 6.

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