Japão espera evitar cortes de energia no inverno, diz governo

As empresas de fornecimento de energia do Japão devem de modo geral evitar cortes de energia no inverno apesar dos fechamentos prolongados de reatores em meio às preocupações com segurança nuclear, mas ainda persistem os problemas para o próximo verão, informou o governo nesta terça-feira.

RISA MAEDA, REUTERS

01 de novembro de 2011 | 11h57

O governo revelou maneiras de resolver o déficit de energia no próximo verão, quando a demanda nos horários de pico deve exceder a oferta em 16.560 megawatts, comparado ao maior excedente neste inverno, de 2.530 MW em uma área, caso nenhum reator seja reiniciado até lá.

As empresas planejam assegurar uma capacidade adicional por meio de combustíveis fósseis de 4.090 MW até o próximo verão, mas outros planos dependem de até que ponto as iniciativas políticas, tais como gastos fiscais, podem encorajar a conservação de energia e o uso de energia solar e eólica, evitando o risco de blecautes.

O aumento nos custos com combustível para as empresas de serviços para compensar a falta de energia nuclear, ocasionando contas de eletricidade mais caras para os consumidores, é outro fator que enfraquece a economia.

O uso de gás e petróleo para compensar a perda de todos os reatores de energia nuclear vai custar mais de 3 trilhões de ienes (38 bilhões de dólares) por ano, com base nos preços de combustível importado e nas taxas de utilização de 2009, calculou o governo.

"Mesmo se nenhum reator for reiniciado até o próximo verão, o governo gostaria de fazer o seu máximo por meio de esforços políticos para assegurar que possamos suprir a demanda nos horários de pico e evitar o aumento de gastos de energia", disse o ministro do Comércio, Yukio Edano, em entrevista coletiva, após ter discutido com outros ministros as chances de cortes de energia neste inverno e no próximo verão.

A crise de radiação na usina Daiichi, em Fukushima, da Tokyo Electric Power Co, provocada pelo terremoto e tsunami de março, abalou a confiança pública na segurança nuclear, forçando agências reguladoras a definir regras mais severas para a reabertura dos reatores fechados para checagens regulares.

Nenhum reator fechado para manutenção foi reaberto desde o desastre de março e o último dos 54 reatores comerciais do Japão ainda em operação deve passar por checagens de rotina até maio.

Antes do desastre de março, a geração de energia nuclear representava cerca de 30 por cento de todo o abastecimento de energia do país, um número que caiu para nível recorde de baixa.

Para este inverno, o governo pediu que os usuários em Osaka e nas regiões ao redor e na ilha ao sul de Kyushu cumpram metas numéricas para conter o uso de energia nos horários de pico.

O governo também insistiu que os usuários de outras regiões voluntariamente reduzam o uso de energia nos horários de pico nos dias de semana entre 1 de dezembro e 30 de março.

Consumidores na área de serviço da Kansai Electric Power Co farão reduções voluntárias no consumo de energia de 10 por cento ou mais em relação à demanda no horário de pico no ano passado, e os usuários da região da Kyushu Electric Power Co reduzirão em 5 por cento ou mais.

No caso da Kansai, as reduções se aplicam para os dias de semana entre 19 de dezembro e 23 de março, e para Kyushu, de 19 de dezembro a 3 de fevereiro.

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