Japão exige que Coréia do Norte devolva seqüestrados

Enquanto a imprensa repercutia a indignação popular, o governo japonês disse nesta quarta-feira que pressionará a Coréia do Norte para que permita o retorno, o quanto antes possível, de vários cidadãos japoneses seqüestrados há décadas por espiões norte-coreanos e investigue minuciosamente o caso.A reação popular obrigou a polícia a reforçar a segurança em torno das escolas, escritórios e outras instalações vinculadas à numerosa comunidade norte-coreana em Tóquio, disse So Chung On, porta-voz da Associação de Residentes (Norte-) Coreanos. Ele acrescentou que a associação recebeu dezenas de ameaças por telefone. Após anos de negativas, o líder norte-coreano, Kim Jong Il, admitiu na terça-feira, em uma reunião com o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, que os espiões de seu país haviam seqüestrado cerca de uma dezena de japoneses nos anos 70 e 80 e que pelo menos quatro estavam vivos. Por sua vez, Koizumi disse hoje que "no passado pode ter havido casos que o governo (japonês) não manejou perfeitamente", sem dar maiores detalhes.Embora tenha dito que havia protestado "energicamente pelos seqüestros" durante seu encontro com Kim, Koizumi disse em entrevista à imprensa, durante sua visita a Pyongyang, que Kim se desculpou pelos seqüestros e explicou que eles foram feitos por militares, que seriam investigados."Mesmo assim, achei que tínhamos que iniciar conversações para melhorar as relações entre o Japão e a Coréia do Norte", explicou Koizumi. Sua visita a Pyongyang marcou um avanço diplomático em troca de doações, créditos de longo prazo e assistência humanitária aos norte-coreanos. Muitos dos familiares dos seqüestrados disseram, no entanto, que só estarão satisfeitos quando os seus estiverem de volta ou até que seja revelado em detalhes o que lhes ocorreu. "Não sinto nenhum alívio", disse Tamotsu Chimura, cujo filho Yasushi desapareceu junto com sua noiva Fukie Hamamoto em 7 de julho de 1978, depois de jantar em um restaurante no litoral. Ainda que se tenha confirmado que Yasushi é um dos quatro sobreviventes, seu pai disse que a falta de outros detalhes só contribuiu para aprofundar seu pesar. Hoje, em uma reunião com os familiares das vítimas, Shinzo Abe, um alto funcionário do governo que acompanhou Koizumi a Pyongyang, a capital norte-coreana, prometeu manter a pressão sobre a Coréia do Norte. Koizumi, que disse ter "protestado energicamente" contra os seqüestros durante a reunião com Kim, receberá as famílias em sua residência oficial na próxima semana.

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