Japão fechará usina nuclear por medo de terremoto e vazamento

A terceira maior operadora de energia do Japão concordou nesta segunda-feira em fechar uma usina nuclear até que ela possa ser melhor protegida contra grandes tsunamis, como o de 11 de março, que causou a pior crise atômica global em 25 anos.

CHIKAKO MOGI E RISA MAEDA, REUTERS

09 de maio de 2011 | 09h03

Aumentando os temores públicos sobre uma indústria que gera cerca de 30 por cento da eletricidade do país, propenso a sofrer terremotos, outra operadora de usina nuclear, a Japan Atomic Power, afirmou que estancou um pequeno vazamento de radiação na usina de Tsuruga, na costa oeste, o primeiro desde o início das operações, em 1987.

A operadora disse que o vazamento não causou danos ao meio ambiente.

A medida de fechar a usina Hamaoka, operada pela Chubu Electric Power Co's, localizada 200 quilômetros a sudoeste de Tóquio e considerada uma das mais perigosas do país, ocorre após um inesperado apelo público do primeiro-ministro, Naoto Kan.

O pedido para o fechamento aponta para uma potencial mudança na política energética após a usina de Fukushima Daichi, no nordeste do país, ter sido danificada por um tsunami gigante causado por um dos maiores terremotos já registrados, ambos ocorridos em 11 de março.

A empresa afirmou que pode recolocar a usina em funcionamento assim que um muro contra tsunami e outras medidas de segurança sejam aprovadas pelas autoridades.

Isso pode levar dois anos, aumentando o risco de falta de eletricidade, o que já era uma ameaça após o fechamento da usina de Fukushima.

"Interrompendo os trabalhos na usina nuclear de Hamaoka, estamos causando um grande problema a curto prazo não apenas para aqueles na região da usina, mas também a muitos outros, incluindo nossos clientes e acionistas", afirmou o presidente da Chubu Electric, Akihisa Mizuno, em coletiva de imprensa.

"Mas implementar firmemente medidas para fortalecer a segurança será o alicerce para manter a energia nuclear segura e estável no longo prazo e, no final, gerar benefícios aos nossos clientes."

O fechamento da usina no centro do Japão pode desanimar os industriais de construir fábricas e ferir assim o sentimento dos consumidores.

As interrupções na produção de energia podem não ser grandes o suficiente para atrasar a retomada econômica, porque os serviços devem suprir a demanda no verão japonês com energia termelétrica do oeste do país.

(Reportagem adicional de Ayai Tomisawa, Chang-Ran Kim e Stanley White em Tóquio)

Tudo o que sabemos sobre:
JAPAONUCLEARFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.