Japão lança água em reatores para tentar conter aquecimento

Helicópteros militares e caminhões de bombeiros jogaram água nesta quinta-feira na superaquecida usina nuclear de Fukushima, no Japão, depois que os planos iniciais de resfriamento do local foram adiados por conta dos altos índices de radiação.

CHISA FUJIOKA E JON HERSKOVITZ, REUTERS

17 de março de 2011 | 12h01

Os técnicos tentaram usar a rede principal de energia para ativar as bombas de água necessárias para resfriar dois reatores e as barras de combustível radiativo já usadas, que apresentam o maior risco de lançar radiação na atmosfera.

As autoridades dos EUA expressaram preocupação sobre o vazamento de radiação, mas tiveram o cuidado de não criticar o governo do Japão, que parece dominado pela crise. As ações de Washington indicam discordâncias com seus aliados japoneses sobre a periculosidade do pior acidente nuclear do mundo desde o desastre de Chernobyl em 1986.

O chefe da agência reguladora de energia nuclear dos EUA disse que a piscina de resfriamento de barras de combustível no reator número 4 pode ter secado, e que outra estaria vazando.

Gregory Jaczko, chefe da Comissão Reguladora Nuclear dos EUA, disse em uma audiência parlamentar que os níveis de radiação ao redor da piscina de refrigeração eram extremamente elevados, com risco potencialmente mortal para os trabalhadores que ainda trabalham na usina, muito danificada pelo terremoto de sexta-feira.

"Seria muito difícil para as equipes de emergência chegar perto dos reatores. Eles poderiam receber doses potencialmente letais em um período muito curto de tempo", disse ele em Washington.

A agência nuclear do Japão não confirmou se a água cobria ou não as varetas de combustível. A empresa operadora da usina disse acreditar que a piscina onde fica o combustível usado pelo reator ainda possuía água na quarta-feira, e deixou claro que sua prioridade é a piscina de combustível gasto do reator número 3.

Na manhã de quinta-feira, os helicópteros militares despejaram cerca de 30 mil litros de água nesse reator. Uma equipe de emergência adiou temporariamente a pulverização no mesmo reator usando um canhão de água, por causa do alto grau de radiação, disse a emissora NHK. Mas um outro grupo mais tarde começou a usar as mangueiras no local.

Especialistas dizem que o pânico por causa dos vazamentos de radiação na usina Daiichi, cerca de 240 quilômetros ao norte de Tóquio, está desviando a atenção de outros riscos enfrentados pelos sobreviventes do terremoto e do tsunami de sexta-feira, como o frio, a neve e a escassez de água potável.

Dentro do complexo, afetado por quatro explosões desde o terremoto, os trabalhadores usam equipamentos de proteção e iluminação improvisada para tentar monitorar o que acontece dentro dos seis reatores. Eles trabalham em turnos curtos, para minimizar a exposição à radiação.

As últimas imagens da central nuclear mostraram sérios danos a alguns dos edifícios após as quatro explosões. Dois deles se transformaram em um monte de aço e entulho. "O pior cenário é melhor nem mencionar, e o melhor cenário continua piorando," disse a empresa Perpetual Investments em nota.

(Reportagem adicional de Linda Sieg, Terril Yue Jones, Nathan Layne, Elaine Lies, Leika Kihara e Mayumi Negishi)

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