Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Japão lançará no mar água tratada de Fukushima

Decisão põe fim a sete anos de debates sobre como se desfazer da água da chuva, das camadas subterrâneas ou das injeções necessárias para esfriar os núcleos dos reatores que entraram em fusão em 2011

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2021 | 23h24

FUKUSHIMA - O governo do Japão decidiu nesta terça-feira, 13, (horário local, noite de segunda-feira no Brasil), que a água contaminada que está armazenada na usina nuclear de Fukushima será despejada no oceano Pacífico após receber tratamento para a remoção da maioria dos elementos radioativos.

A decisão põe fim a sete anos de debates sobre como se desfazer da água da chuva, das camadas subterrâneas e das injeções usadas para esfriar os núcleos dos reatores que entraram em fusão em consequência do tsunami de 11 de março de 2011

O primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga anunciou a decisão após consultas com a empresa operadora da usina, Tokyo Electric Power, com o órgão regulador nuclear japonês, a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) e autoridades de Fukushima, entre outras partes.

Autoridades japonesas já haviam escolhido liberar controladamente a água da usina no início do ano passado, mas a decisão havia sido adiada devido à oposição das autoridades de Fukushima e das associações de pescadores locais, que acreditam que a medida poderia prejudicar ainda mais suas atividades econômicas, que foram duramente atingidas pelo acidente nuclear de 2011.

O governo japonês considera que o derramamento não vai gerar nenhum risco à saúde humana, porque os níveis de trítio liberados no mar ficarão abaixo dos padrões nacionais de saúde - ao serem misturados com a água do mar - e defendem que esta é uma prática comum na indústria nuclear em outros países. Atualmente, a água contaminada está armazenada em enormes tanques.

A central de Fukushima Daiichi possui um sistema de processamento de água que remove a maioria dos materiais radioativos considerados perigosos, com exceção do trítio, um isótopo natural, mas de baixa concentração.

Mais de 1,25 milhão de toneladas de água processada são armazenadas nas instalações da Daiichi, e espera-se que a capacidade para seu armazenamento seja esgotada até o outono do próximo ano, ao ritmo atual em que está sendo gerada. /EFE

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