Japão lembra aniversário da bomba de Hiroshima e pede paz

Em cerimônia solene, prefeito da cidade critica EUA por não abrirem mão de seu arsenal atômico

TORU HANAI, REUTERS

06 de agosto de 2007 | 09h41

O Japão lembrou nesta segunda-feira, 6, o 62º aniversário do ataque nuclear contra Hiroshima, numa cerimônia solene na qual o prefeito da cidade criticou os Estados Unidos por não abrirem mão de seu arsenal atômico.Dezenas de milhares de sobreviventes idosos, de crianças e de dignitários se reuniram no Parque Memorial da Paz, perto do local da queda da bomba que levou à morte de mais de 250 mil pessoas."Mesmo para os que conseguiram sobreviver foi um inferno que os fez invejar os mortos", disse o prefeito Tadatoshi Akiba no evento, descrevendo rostos queimados, roupas desintegradas e outros efeitos da bomba."O governo japonês, que tem o dever de trabalhar pela abolição das armas nucleares por meio do direito internacional, deveria proteger sua Constituição pacifista, da qual deveria se orgulhar, e claramente dizer ''não'' às políticas antiquadas e erradas dos EUA", declarou o prefeito. Depois do discurso, 1.000 pombas brancas foram soltas.A multidão se curvou para um minuto de silêncio enquanto duas crianças soavam o Sino da Paz, às 8h15 (hora local), o instante em que o bombardeiro B-29 batizado de Enola Gay lançou a bomba sobre esta cidade do oeste do Japão, em 6 de agosto de 1945.Em 9 de agosto daquele ano, os EUA realizaram um segundo ataque nuclear, contra Nagasaki. Seis dias depois, o Japão se rendeu, encerrando a 2ª Guerra Mundial.Neste ano, a data está sendo marcada pela repercussão da frase de um ministro, para quem os bombardeios "não poderiam ser evitados", já que levaram ao fim do conflito.No domingo, o primeiro-ministro Shinzo Abe pediu desculpas aos sobreviventes em Hiroshima pela frase do seu ex-ministro da Defesa Fumio Kumya, que pediu demissão devido ao incidente.Sob forte calor, Abe prometeu respeitar a Constituição pacifista do país. Segundo ele, o país não vai nem mesmo debater a possibilidade de rever os seus "três princípios não-nucleares" - contra a posse, produção e importação dessas armas."Sendo o único país a ter sofrido bombardeios atômicos na história humana, temos a responsabilidade de contar as histórias desta triste experiência à comunidade internacional", disse Abe.Ao final de 1945, 140 mil pessoas haviam morrido por causa do ataque a Hiroshima, que tinha antes da bomba uma população de 350 mil pessoas. Muitas outras morreram nas décadas seguintes devido a doenças e ferimentos.Recentemente, mais 5.221 nomes foram acrescidos à lista, elevando o total de mortos a 253.008. Milhares de nomes são acrescentados todos os anos.

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