Japão liberta capitão, mas relação com China segue tensa

Pequim exige pedido de desculpas e indenização, mas Tóquio afirma que exigência é 'totalmente inaceitável'

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

A libertação ontem do capitão chinês preso pela guarda costeira do Japão, no dia 8, diminuiu a tensão entre os dois países, mas está longe de resolver o conflito sobre o controle das ilhas Diaoyu. Em um indício de que as divergências continuarão, Tóquio rejeitou a exigência de Pequim de apresentar desculpas pelo episódio e pagar indenização ao capitão, que ficou 16 dias preso.

A imprensa oficial chinesa afirmou que o confronto "prejudicou seriamente" as relações sino-japonesas, diminuiu a confiança dos chineses no país vizinho e minou o processo de aproximação registrado em anos recentes. O capitão Zhan Qixiong voltou ontem à China em um avião fretado pelo governo chinês. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores reiterou que a prisão, investigação e qualquer forma de acusação judicial contra ele no Japão seriam ilegais.

Em Tóquio, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Japão afirmou que a exigência de desculpas e compensação do governo chinês é "totalmente inaceitável". Os dois países continuam a ter posições radicalmente distintas em relação ao domínio do conjunto de ilhas chamadas de Diaoyu, em chinês, e Senkaku, em japonês. Tóquio reivindica soberania sobre a área, rica em gás natural. Por isso, a guarda costeira abordou o barco do capitão Zhan.

Pequim afirma que a região pertence à China desde a dinastia Ming (1368-1644) e foi usurpada pelo Japão na primeira guerra entre os dois países (1864-1865). "O conflito continua a existir. Se o Japão continuar a reivindicar soberania sobre as ilhas, o confronto ressurgirá", disse o diretor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Tsinghua, Yan Xuetong.

A decisão de libertar o capitão foi reprovada pela opinião pública japonesa, que a viu como um gesto de fraqueza do governo do Partido Democrático do Japão (PDJ), que chegou ao poder há um ano. O Executivo japonês, no entanto, afirma não ter tido influência na libertação de Zhan.

Jia Qingguo, analista da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim, afirmou que o conflito deveria ser resolvido por negociação ou decisão de arbitragem internacional. Entretanto, esses cenários exigem concordância de ambos os lados, o que parece inexistir atualmente.

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