Japão mantém meta para controlar usina danificada

O Japão divulgou nesta terça-feira novos planos para conter a crise em sua usina nuclear danificada, depois de admitir que enfrenta um desafio ainda maior do que revelou a princípio mas que mantém o objetivo de controlar os reatores até janeiro.

SHINICHI SAOSHIRO E KIYOSHI TAKENAKA, REUTERS

17 de maio de 2011 | 09h54

Mais de dois meses após o terremoto de magnitude 9,0 seguido por um tsunami terem desencadeado o pior desastre nuclear desde Chernobyl, autoridades dizem que o risco de outra explosão na usina de Fukushima diminuiu, mas cada passo dado para retomar o controle se deparou com novos revezes.

A crise levou a uma reavaliação total da política de energia japonesa, que antes incluía a meta de gerar metade da eletricidade do país a partir de usinas nucleares até 2030.

Desde o início, o cronograma de estabilização de Fukushima, anunciado pouco mais de um mês atrás, despertou ceticismo de especialistas e do público japonês, mas quaisquer mudanças no objetivo original eram vistas pelo governo como muito custosas politicamente.

A Tokyo Electric Power Co, operadora da usina, disse ter descartado um plano inicial para estabilizar os reatores enchendo-os com água depois que se descobriu na semana passada um grande vazamento no principal invólucro do reator 1 da usina.

Ao invés disso, a empresa disse que agora irá tentar resfriar os reatores circulando a água radioativa que se acumulou no complexo de Fukushima. A maior parte da água está dentro dos prédios do reator, mas uma parte está fora, em tendas.

A nova abordagem envolverá medidas caras para descontaminar dezenas de milhares de toneladas de água e a construção de uma grande área de armazenamento para os resíduos de baixa radiação restantes.

Em uma medida de reconhecimento de um risco anteriormente minimizado, a Tokyo Electric também disse que irá intensificar o monitoramento de radiação na água marinha próxima e estudar o que pode ser feito para evitar a contaminação da água no solo.

A empresa, também conhecida como Tepco, disse que ainda pretende concluir as etapas iniciais para limitar a liberação de mais radiação da usina localizado 240 km ao nordeste de Tóquio e fechar seus três reatores instáveis até janeiro de 2012.

"Sabemos que há muitos fatores e riscos, mas ainda queremos concluir os primeiro passos até julho e o restante do plano dentro de nove meses," declarou Sakae Muto, vice-presidente da Tepco, em uma coletiva de imprensa.

Ele acrescentou ser impossível estimar quanto a limpeza de Fukushima, que tem um total de seis reatores, irá custar. "É algo que teremos que estudar com o tempo."

(Reportagem de Kiyoshi Takenaka e Shinichi Saoshiro)

Tudo o que sabemos sobre:
JAPAOUSINACRONOGRAMA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.