Japão não mudará desculpas por prostituição forçada

O Japão disse nesta segunda-feira que não planeja mudar o pedido de desculpas, anunciado em 1993, por um sistema de prostituição forçada para integrantes das Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, o governo afirmou que continuará reavaliando um estudo que deu origem às desculpas públicas.

AE, Agência Estado

10 de março de 2014 | 17h01

O Japão foi criticado por vizinhos asiáticos por criar um grupo para verificar a veracidade de entrevistas conduzidas há mais de 20 anos com mulheres que disseram atuar como escravas sexuais dos soldados japoneses antes e durante a guerra. Historiadores apontaram que milhares de mulheres foram escravas sexuais no Japão. Alguns nacionalistas japoneses defendem, entretanto, que as mulheres que trabalhavam em bordéis durante a guerra o faziam voluntariamente, não sob escravidão.

O secretário-chefe de gabinete do Japão, Yoshihide Suga, disse a repórteres que o governo não tinha planos de mudar seu pedido oficial de desculpas, chamado de declaração de Kono, porque Yohei Kono, porta-voz do governo à época, o publicou. "Nós não estamos pensando em mudar a declaração de Kono", assegurou Suga. Todavia ele disse que o governo continuará revisando evidências que sustentam as desculpas. O representante não disse o que o governo japonês faria se surgisse algum fato que desmentisse as alegações de escravidão.

A percepção de um Japão mais assertivo sob o comando do primeiro-ministro Shinzo Abe, que assumiu o governo no ano passado, despertou tensões com a China e a Coreia do Sul. Nos Estados Unidos, a porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki saudou a declaração da administração Abe de que não mudaria o pedido de desculpas. "Incentivamos a liderança do Japão a abordar este e outros temas referentes ao passado de uma maneira que seja condutora da construção de relações mais fortes com seus vizinhos, então acreditamos que isso foi um passo positivo", afirmou. Fonte: Associated Press.

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