Japão nega vazamento radioativo em usina nuclear

Japão nega vazamento radioativo em usina nuclear

Ausência de vazamento pode significar que água radioativa está se acumulando no interior dos reatores

Agência Estado

25 Abril 2011 | 08h54

TÓQUIO - A Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão informou nesta segunda-feira, 25, que não há dados indicando que água altamente radioativa esteja vazando da usina Daiichi, em Fukushima. A notícia é um sinal de que os esforços para conter a radiação no local estão funcionando. No entanto, a ausência de vazamento também pode significar que água radioativa está se acumulando no interior dos reatores. Caso isso se confirme, seria ainda mais urgente a necessidade de se buscar uma maneira de processar e armazenar a água, subproduto da operação de resfriamento para evitar um superaquecimento dos reatores.

 

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A Tokyo Electric Power (Tepco), proprietária da usina, anunciou na última quinta-feira, 21, que 520 toneladas de água altamente radioativa podem ter vazado para o oceano entre os dias 1.º e 6 deste mês, fruto de uma fissura em uma fossa de concreto. O problema foi detectado no último dia 2 e sanado no dia 6. Nesse período, os níveis de radiação no oceano aumentaram bastante perto da usina, mas desde então caíram para níveis próximos do limite permitido, segundo a agência.

 

Autoridades acreditam que a água contaminada vazou do reator 2 e inundou o porão da estrutura onde fica a turbina do reator, bem como uma valeta por onde passa um cano que leva a água do mar. A estimativa é de que mais de 20 mil toneladas de água permaneçam no porão e nessa valeta. Há uma operação em andamento para drenar essas instalações desde 19 de abril.

 

Até as 7 horas (horário local) desta segunda-feira haviam sido transferidas 1.410 toneladas de água para uma estrutura apropriada. A Tepco quer dobrar o ritmo dessa operação de drenagem, mas isso pode representar riscos. Foram detectados níveis elevados de radiação - 160 millisieverts - na superfície do cano que transporta a água contaminada. Isso pode representar um risco para os trabalhadores envolvidos na operação de drenagem.

 

Além disso, há um espaço limitado para estocar a água. Com isso, a Tepco se apressa para construir uma estação de tratamento na usina, para que a água possa ser transferida para outro local ou reutilizada a fim de resfriar os reatores. Outra operação em andamento é para a retirada de escombros, deixados pelo terremoto e tsunami ocorridos em 11 de março e por explosões posteriores na usina. Alguns desses escombros têm alta quantidade de radiação. Eles estão sendo retirados com a ajuda de equipamentos controlados por controles remotos.

 

Segundo a Agência de Segurança Nuclear e Industrial, alguns dos escombros atrapalham o trabalho para injetar nitrogênio nos reatores 2 e 3, a fim de se evitar qualquer risco de novas explosões de hidrogênio. No reator 1, o nitrogênio tem sido injetado desde 11 de abril.

 

Um novo complicador é a aproximação da temporada de chuvas no Japão, que geralmente começa em junho. A chuva pode atrapalhar os esforços para remoção de água radioativa e os reparos nos reatores danificados.

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