Japão nega vínculo direto com escravas sexuais na 2ª Guerra

O governo japonês concluiu nesta sexta-feira, 16, que não há provas de um vínculo direto entre as autoridades japonesas e o uso de escravas sexuais asiáticas por parte dos soldados do Exército Imperial durante a Segunda Guerra Mundial e no período anterior a ela.Uma declaração do governo, publicada pela agência japonesa Kyodo, afirma que não há evidências envolvendo diretamente as autoridades japonesas no recrutamento de milhares de mulheres de vários países asiáticos para bordéis militares.Nas últimas semanas, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, usou várias vezes esse mesmo argumento.O governo japonês respondeu assim a uma pergunta de um deputado da oposição, apoiando um comentário de Abe. O primeiro-ministro havia negado a ligação entre as autoridades e as "mulheres de conforto", eufemismo usado para se referir às prostitutas forçadas do Exército Imperial.InvestigaçõesA declaração revê as investigações do governo japonês de dezembro de 1991 a agosto de 1993.Em 4 de agosto de 1993, o então porta-voz do governo, Yohei Kono, afirmou que o corpo militar japonês da época da guerra estava "direta ou indiretamente ligado" às "estações de conforto", onde trabalhavam as escravas sexuais de vários países asiáticos, que, "em muitos casos", foram recrutadas "contra sua vontade" através de "coação".O documento aprovado nesta sexta-feira pelo governo de Shinzo Abe afirma que a declaração de Kono não foi aprovada pelo então primeiro-ministro Kiichi Miyazawa.As escravas sexuais são um tema polêmico nas relações entre o Japão e seus países vizinhos, como China e Coréia do Sul, que já protestaram contra as declarações de Abe negando a participação japonesa na escravização de mulheres.No dia 5 de março, Shinzo Abe disse que o Japão não pedirá desculpas.Não está claro quantas mulheres foram escravizadas nos bordéis militares japoneses. Alguns historiadores avaliam que foram 200 mil, principalmente chinesas e coreanas.

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