Japão omite que incentivava suicídios na 2.ª Guerra Mundial

Protesto contra censura em livros reúne mais de 100 mil; Exército sugeria morte ao invés de rendição

Reuters,

29 de setembro de 2007 | 14h49

Mais de 100 mil pessoas se reuniram em Okinawa neste sábado, 29, numa manifestação para exigir que o governo se retrate pela ordem emitita para que as editoras retirem referências nos livros escolares sobre o exército forçando civis a cometerem suicídio ao invés de se renderem aos americanos em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. A Batalha de Okinawa deixou cerca de 200 mil mortos, incluindo muitos civis da região, geralmente famílias inteiras, que se suicidaram em vez de se renderem aos norte-americanos. Algumas testemunhas dizem que o suicídio foi cometido por ordens de soldados japoneses, mas historiadores conservadores duvidam dessa versão, argumentando que os suicídios foram voluntários. O protesto foi o maior realizado na ilha desde que ela foi devolvida ao Japão pelos Estados Unidos em 1972, afirmaram os organizados do movimento, segundo a agência de notícias Kyodo. Em março, o Ministério da Educação determinou que as editoras de livros escolares modificassem suas descrições dos suicídios, medida que irritou muitos moradores de Okinawa, que reivindicaram que assembléias e parlamentares adotassem medidas para anular a ordem do Ministério da Educação. "É inegável que os suicídios em massa foram resultados de ordens militares. É nosso dever passar isso como fato histórico para as próximas gerações e nos certificar de que tal brutalidade não aconteça novamente", disse o presidente do conselho do comitê à frente da manifestação, segundo a Kyodo. O encontro foi organizado por um comitê com membros de todos os blocos da assembléia de Okinawa, incluindo o partido do primeiro-ministro do Japão Yasuo Fukuda, assim como governantes locais, sindicato de professores e grupos de cidadãos. Até o momento, cinco editoras cumpriram as instruções do governo e novas versões dos livros devem ser usados no próximo ano acadêmico que se inicia em abril.

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