Japão ordena atualização imediata em segurança de usinas

O Japão ordenou uma atualização imediata na segurança de suas 55 usinas nucleares nesta quarta-feira, sua primeira admissão de que os padrões são inadequados depois que um terremoto e um tsunami danificaram um dos complexos três semanas atrás.

YOKO KUBOTA E CHISA FUJIOKA, REUTERS

30 Março 2011 | 10h46

Somando-se à evidência de que os vazamentos radioativos nas imediações da usina afetada, cerca de 240 km ao norte de Tóquio, medições detectaram iodo radioativo no mar próximo da usina em níveis recordes. A agência estatal de segurança nuclear disse que os índices estão 3.355 vezes mais altos do que o limite legal.

Uma investigação da Reuters mostrou que o Japão e a operadora da usina, Tokyo Electric Power (TEPCO), reiteradamente subestimaram os perigos de suas usinas nucleares e ignoraram alertas --incluindo um estudo de tsunami de 2007 do engenheiro-sênior de segurança da unidade.

O documento concluiu haver uma chance de aproximadamente 10 por cento de que um tsunami poderia testar ou subjugar as defesas da usina de Fukushima Daiichi em um prazo de 50 anos, baseado nas estimativas mais conservadoras.

As novas medidas de segurança, a serem finalizadas até o final de abril, incluem preparar uma fonte de energia alternativa em caso de perda de potência e ter caminhões-pipa à disposição para intervir e garantir o resfriamento dos reatores e das piscinas de combustível usado, disse o Ministério do Comércio.

Outras ações, como construir muros de contenção mais altos perto do mar, serão estudadas após um levantamento completo do desastre de Fukushima, declararam as autoridades.

As medidas imediatas não necessariamente exigem que as operações das usinas sejam interrompidas, declarou Banri Kaieda, ministro da Economia, Comércio e Indústria, em uma coletiva de imprensa.

"Estas são as medidas mínimas que podemos conceber agora para serem implementadas imediatamente", disse Kaieda.

"Não deveríamos esperar até uma revisão completa e abrangente --algo grande que levaria muito tempo-- ser preparada. Devemos fazer tudo que pudermos se e quando houver algo (que as autoridades de segurança concordam ser) viável e necessário", acrescentou.

Antes da tragédia, os reatores nucleares japoneses forneciam cerca de 30 por cento da energia do país. A porcentagem deveria chegar a 50 por cento até 2030, entre as mais altas do mundo.

O governo e a TEPCO admitiram não haver um final em vista para o pior desastre atômico desde Chernobyl em 1986.

"Não estamos em uma situação na qual podemos dizer que teremos isto sob controle em um determinado tempo", declarou Yukio Edano, secretário-chefe de gabinete, em uma entrevista coletiva.

A descoberta de plutônio altamente tóxico no solo da usina nesta semana já havia aumentado o alarme com o desastre, que ofuscou a calamidade humanitária desencadeada pelo tremor seguida de tsunami que deixou 27.500 mortos e desaparecidos.

A poluição oceânica é outra grande preocupação para um país onde o peixe é parte fundamental da dieta.

Especialistas dizem que a vastidão do oceano e uma correnteza poderosa podem diluir os altos níveis de radiação, limitando o risco de contaminação da fauna marinha.

(Reportagem adicional de Elaine Lies, Mayumi Negishi, Leika Kihara e Yoko Nishikawa em Tóquio, Roberta Rampton , Ayesha Rascoe e Deborah Zabarenko em Washington, Eileen O'Grady em Houston)

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