David Guttenfelder/REUTERS
David Guttenfelder/REUTERS

Japão organiza primeira visita à usina de Fukushima

Autoridades levaram jornalistas para um passeio na usina nuclear atingida pelo tsunami em março

Reuters

12 de novembro de 2011 | 09h56

As condições na usina nuclear de Fukushima, devastada por um tsunami em março, estão melhorando aos poucos a ponto de que deve ser possível esfriar o reator e fazer um "desligamento" da usina como planejado, disseram as autoridades do Japão neste sábado, durante uma visita ao local organizada para a imprensa.

 

As autoridades lideraram um grupo de cerca de 30 jornalistas, a maioria japoneses, pela usina pela primeira vez desde a explosão dos reatores, o pior acidente nuclear desde Chernobyl, há 25 anos.

 

Os sistemas de esfriamento da usina, que fica a 240 quilômetros a nordeste de Tóquio, foram derrubados pelo forte tsunami e os efeitos da devastação ainda podiam ser vistos claramente no local.

Os edifícios dos reatores nucleares ainda estavam cercados de tratores quebrados, grades de metal retorcidas e enormes tanques de água danificados. Os prédios de escritórios, menores, ao redor dos reatores continuam no mesmo estado em que foram abandonados em 11 de março, quando o tsunami atingiu a costa do país.

 

Guindastes cobriam o horizonte do local, como uma prova aos esforços de reconstrução. Os jornalistas permaneceram dentro de um ônibus por quase todo o passeio ao redor da usina e não foi permitido se aproximar dos prédios dos reatores. Ainda assim, todos precisaram usar roupas de proteção, luvas de dupla camada, uma bota de plástico e toucas para o cabelo. Todos também tiveram de usar máscaras de respiração e sensores de radiação.

 

"De acordo com os dados da usina que eu pude ver, não há dúvida de que os reatores foram estabilizados", disse ao grupo Masao Yoshida, chefe da usina de Daiichi.

 

O complexo ainda pode estar cheio de entulho, mas a Tokyo Electric Power (Tepco), que opera a usina, conseguiu reduzir as temperaturas dos três reatores danificados e que estavam a níveis considerados perigosos.

 

Eles estão confiantes de que poderão declarar um "frio desligamento" da usina - quando as temperaturas estiverem a baixo do ponto de ebulição - como planejado para o fim deste ano.

 

Embora a Tepco tenha conseguido estabilizar as condições para que os trabalhadores comecem a entrar nos prédios dos reatores, Yoshida disse que as condições de trabalho ainda são perigosas.

 

O desastre fez com que o governo japonês declarasse uma zona de quarentena de um raio de 20 quilômetros ao redor da usina, obrigando a evacuação dos cerca de 80 mil moradores do local.

 

O desligamento é uma das condições para que o governo considere o fim da quarentena.

 

Como uma medida de emergência logo no início da crise nuclear, a Tepco tentou esfriar os reatores bombeando enormes volumes de água, a maior parte diretamente do mar, embora isso tenha permitido o vazamento de uma pequena parte da água contaminada no oceano.

 

A empresa resolveu o problema construindo um sistema de desaquecimento para limpar os resíduos radioativos, usando parte da água para esfriar os reatores.

 

O grupo de casas brancas, em formato de barracas, formam as instalações improvisadas de limpeza. Na frente, foram hasteadas bandeiras dos Estados Unidos, França e Japão - países que providenciaram a tecnologia para o sistema de descontaminação.

 

"Toda vez que eu volto, sinto que as condições melhoraram. Isso é por causa do nosso esforço", disse aos trabalhadores da usina Goshi Hosono, ministro de meio ambiente do Japão.

 

Porém, Hosono alertou que ainda levaria cerca de 30 anos para desmontar os reatores após o esfriamento.

 

Os trabalhadores envolvidos na recuperação tem como base a Vila J, um centro de treinamento de um time de futebol próximo a Daiichi que foi transformado em base operacional.

 

A Tepco disse que mais de 3,3 mil trabalhadores são transportados todos os dias a partir da Vila J, localizada no limite da zona de exclusão de 20 quilômetros.

 

Na Vila J, os trabalhadores a caminho da usina fazem fila em uma barraca branca para trocar seus equipamentos de segurança. Todos os dias quando eles retornam, os trabalhadores descartam as roupas de proteção, que são tratadas como lixo radioativo e armazenados.

 

Um guia Tepco disse que cada peça de roupa descartada foram guardadas desde 17 de março, e que cerca de 480 mil delas estão empilhadas ou foram guardas em contâiners.

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