Japão paralisa negociações sobre base militar dos EUA

O ministro de Relações Exteriores do Japão, Katsuya Okada, disse hoje que as conversações sobre a transferência da base militar norte-americana na ilha de Okinawa foram suspensas e não têm data definida para recomeçar, informou a agência de notícias "Kyodo".

AE-AP, Agencia Estado

08 de dezembro de 2009 | 20h17

"Agora estamos esperando para ver se devemos realizar as discussões novamente", disse Okada, sem dar maiores detalhes, segundo a agência. A declaração emperra ainda mais as negociações entre os dois países sobre o tema.

A maioria dos moradores da ilha de Okinawa, no sul do Japão, quer que a base norte-americana seja fechada e que todas as suas atividades sejam retiradas da ilha. Segundo os moradores, a base representa uma ameaça à segurança das pessoas que vivem em suas proximidades e que reclamam de crimes e questões ambientais relacionados ao seu funcionamento.

A realocação da base aérea de Futenma está no centro da disputa entre Tóquio e Washington. Em 2006, Japão e Estados Unidos concordaram em transferir a base para um local mais ao norte. Mas o primeiro-ministro Yukio Hatoyama colocou o acordo em suspensão e indicou que o local de transferência poderia ser alterado.

Hoje, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley, subestimou a declaração de Okada. Ele disse aos jornalistas em Washington, que o secretário-assistente de Estado para o leste da Ásia, Kurt Campbell, trabalhou com funcionários japoneses ontem e hoje sobre a questão da base militar.

"Nós continuamos nossas consultas com o Japão", disse Crowley. Os Estados Unidos, disse ele, acreditam que o atual plano de realinhamento é a melhor forma de reduzir o peso sobre a região de Okinawa, ao mesmo tempo em que mantém a aliança entre Estados Unidos e Japão.

Para reduzir a presença de militares na cidade, Tóquio e Washington concordaram em transferir cerca de 8 mil marines para o território norte-americano de Guan até 2014, mas o Exército dos Estados Unidos diz que o plano não pode seguir até que as instalações que vão substituir Futenma sejam concluídas.

Cerca de 50 mil soldados norte-americanos permanecem no Japão sob um pacto de segurança bilateral firmado após a Segunda Guerra Mundial.

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