Japão pede calma à China em meio à tensão sobre disputa territorial

Tóquio nega ter sido informado de que Pequim suspendeu contatos ministeriais entre os países

BBC Brasil, BBC

20 de setembro de 2010 | 09h18

O governo do Japão afirmou nesta segunda-feira que ainda não foi informado oficialmente da suspensão imposta pela China aos intercâmbios ministeriais entre os dois países, mas pediu calma e prudência a Pequim. A decisão, anunciada por Pequim nesse domingo, ocorreu depois que um tribunal japonês estendeu a detenção do comandante de uma embarcação de pesca chinesa.

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O porta-voz do governo japonês, Noriyuki Shikata, pediu calma e prudência aos chineses, dizendo que as informações sobre a suspensão eram "lamentáveis", caso fossem verdadeiras.

 

No último dia 7, o pescador Zhan Qixiong foi detido sob a acusação de deliberadamente atingir embarcações da guarda-costeira e de obstruir o acesso de funcionários públicos do Japão a ilhas no Mar da China Oriental. O arquipélago, chamado de Senkaku no Japão e de Diaoyu na China, é disputado entre os dois países.

O congelamento dos contatos a nível ministerial foi anunciado nesse domingo na televisão estatal chinesa, depois que um tribunal da cidade japonesa de Okinawa decidiu estender a detenção de Qixiong em 10 dias. Segundo a declaração do Ministério do Exterior, a prisão "prejudicou seriamente as relações bilaterais sino-japonesas".

"Exigimos que o Japão devolva o capitão chinês incondicionalmente e imediatamente. Se o Japão continuar a tomar o caminho errado, a China vai adotar medidas duras e o Japão terá de lidar com as consequências", disse a mensagem. 'Calma e prudência'.

As ilhas em disputa, que ficam ao norte de Taiwan e ao sul de Okinawa, são uma área rica para a pesca e podem ter reservas de petróleo e gás. O Japão atualmente controla o arquipélago, mas ambos os países declaram ter posse do local. Visita cancelada

Além da disputa envolvendo as ilhas, a visita de mil estudantes japoneses à Expo 2010, realizada em Xangai, foi cancelada. Segundo Shikata, o governo chinês informou à embaixada japonesa em Pequim que os alunos não deveriam viajar ao país. O porta-voz definiu a decisão como "extremamente inapropriada".

De acordo com o correspondente da BBC em Tóquio Roland Buerk, a disputa aumentou as preocupações do governo japonês em relação ao crescente poder da China. O Japão, além de se ver suplantado pelos chineses como segunda maior economia do mundo, tem se tornado cada vez mais dependente das exportações ao país vizinho, que se tornou seu maior parceiro comercial.

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