AFP PHOTO / KAZUHIRO NOGI
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Japão pede que Coreia do Norte cancele lançamento de satélite

Para premiê Shinzo Abe, regime de Kim Jong-un usaria lançamento para acobertar teste com míssil balístico de longo alcance

O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2016 | 16h00

TÓQUIO - O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediu nesta quarta-feira, 3, à Coreia do Norte que suspenda o lançamento do satélite que este país comunicou aos órgãos internacionais, e é considerado por Tóquio como um teste encoberto de um míssil balístico de longo alcance.

Abe reagiu assim à notificação feita pelas autoridades norte-coreanas à União Internacional de Telecomunicações (UIT) e à Organização Marítima Internacional (OMI) sobre o próximo lançamento de um satélite de observação aérea, segundo informaram ambas as instituições na terça-feira.

"O lançamento seria uma clara violação das resoluções das Nações Unidas", afirmou o líder do Executivo japonês em declarações publicadas pela agência local "Kyodo".

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida, afirmou, por sua vez, que o Japão "trabalhará com outros países afetados para pedir (à Coreia do Norte) que se abstenha do lançamento", em alusão aos Estados Unidos e à Coreia do Sul, que também demonstraram inquietação pelo anúncio de Pyongyang.

O regime liderado por Kim Jong-un informou à OMI, cuja sede fica em Londres, sobre o lançamento de um "satélite" entre os dias 8 e 25 de fevereiro, segundo o porta-voz dessa instituição, Lee Adamson.

Após tomar conhecimento desse anúncio, Tóquio decidiu elevar seu nível de alerta diante do que considera um "lançamento 'de facto' de um míssil balístico de longo alcance", afirmou uma fonte do Executivo à "Kyodo".

O Ministério da Defesa do Japão decidiu mobilizar no último dia 29 seu sistema antimíssil para se preparar para a possibilidade de a Coreia do Norte lançar um projétil de longo alcance que possa cair sobre o território japonês.

"Tomamos todas as medidas necessárias para que estejamos prontos diante de qualquer eventualidade", afirmou o titular de Defesa do Japão, Gen Nakatani.

Durante os últimos dias, foi possível observar através de imagens de satélite um aumento das atividades nas instalações de lançamento de Dongchang-ri, que fica no nordeste da península coreana, por isso se acredita que o regime comunista prepara um novo teste de míssil balístico de longo alcance.

O último lançamento desse tipo aconteceu em 2012, quando Pyongyang conseguiu colocar em órbita um satélite com seu foguete de longo alcance Unha-3, uma ação que a comunidade internacional considerou como parte de seu programa de desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais e deu origem a novas sanções da ONU.

Neste momento, o Conselho de Segurança de ONU estuda adotar sanções adicionais contra a Coreia do Norte como resposta ao quarto teste atômico realizado pelo regime no dia 6 de janeiro. / EFE e REUTERS

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