Japão planeja expandir área de risco no entorno de usina

Raio será ampliado para 60 km ao redor de Fukushima; alerta não tem força legal

AE, Agência Estado

15 de junho de 2011 | 12h02

TÓQUIO - O governo do Japão deve emitir um novo alerta para alguns bolsões com alta radiação recentemente detectados a até 60 quilômetros da usina nuclear Daiichi, em Fukushima, disseram autoridades nesta quarta-feira, 15. A nova estratégia busca minimizar os custos econômicos e emocionais das operações de retirada, segundo o governo.

O alerta, que não tem força legal, ou seja, pode ou não ser cumprido pela população, deve ser divulgado esta semana. Ele é baseado em pesquisas recentes da radiação realizadas perto de áreas já esvaziadas, onde moradores saíram no final de maio, pelo temor de que as doses de radiação anuais passassem o limite oficial de 20 millisieverts.

As áreas que deveriam ser esvaziadas foram estabelecidas no final de abril, mas no final de maio mais de mil pessoas ainda estavam nelas, por dificuldade de achar abrigo ou para alimentar seus animais, por exemplo. Em um raio de 20 quilômetros da usina, todas as pessoas tiveram de sair. Nesse caso, 70 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

Agora, o novo alerta deve ser aplicado a áreas pequenas, em cidades como Date, localizada entre 50 e 60 quilômetros da usina. Essa cidade recebeu uma quantidade desproporcional de radiação, por causa de ventos a noroeste e chuvas localizadas. Também deve haver um alerta para áreas de Minamisoma, que fica entre 15 e 35 quilômetros da usina.

Algumas das áreas são rurais, pouco povoadas. Funcionários do governo devem examinar cada uma, para checar se é mais fácil realizar a descontaminação das áreas ou retirar os moradores. Segundo Hidehiko Nishiyama, porta-voz da Agência de Segurança Nuclear e Industrial do governo, todas as pessoas serão reembolsadas pelos problemas causados pela mudança.

A operadora da usina, Tokyo Electric Power (Tepco), conseguiu controlar a temperatura dos reatores, após os problemas gerados por um terremoto e um tsunami em 11 de março. Porém, ainda precisa tratar mais de 100 mil toneladas de água, usadas para a operação. A Tepco prepara um sistema de tratamento de água, que deve começar a funcionar na tarde desta sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

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